Números 11
1. O povo pôs-se a murmurar amargamente aos ouvidos do Senhor. O Senhor, ouvindo isso, irou-se: o fogo do Senhor acendeu-se entre eles e devorou a extremidade do acampamento.
2. O povo clamou a Moisés; Moisés orou ao Senhor e o fogo extinguiu-se.
3. Deu-se àquele lugar o nome de Tabeera, porque o fogo do Senhor se tinha acendido no meio deles.
4. A população que estava no meio de Israel foi atacada por um desejo desordenado; e mesmo os israelitas recomeçaram a gemer: “Quem nos dará carne para comer?, diziam eles.
5. Lembramo-nos dos peixes que comíamos de graça no Egito, os pepinos, os melões, os alhos bravos, as cebolas e os alhos.
6. Agora nossa alma está seca. Não há mais nada, e só vemos maná diante de nossos olhos.”
7. O maná assemelhava-se ao grão de coentro e parecia-se com o bdélio.
8. O povo dispersava-se para colhê-lo; moía-o com a mó ou esmagava-o num pilão, cozia-o numa panela e fazia bolos com ele, os quais tinham o sabor de um bolo amassado com óleo.
9. Enquanto de noite caía o orvalho no campo, caía também com ele o maná.
10. Ouviu Moisés o povo que chorava, agrupado por famílias, cada uma à entrada de sua tenda. A cólera do Senhor acendeu-se com violência. Moisés entristeceu-se.
11. E disse ao Senhor: “Por que afligis vosso servo? Por que não acho eu favor a vossos olhos, vós que me impusestes a carga de todo esse povo?
12. Porventura fui eu que concebi esse povo? Ou acaso fui eu que o dei à luz, para me dizerdes: leva-o em teu seio como a ama costuma levar o bebê, para a terra que, com juramento, prometi aos seus pais?
13. Onde encontrarei carne para dar a todo esse povo que vem chorar perto de mim, dizendo: dá-nos carne para comer?
14. Eu sozinho não posso suportar todo esse povo; ele é pesado demais para mim.
15. Em lugar de tratar-me assim, rogo-vos que antes me façais morrer, se achei agrado a vossos olhos, a fim de que eu não veja a minha infelicidade!
16. O Senhor respondeu a Moisés: “Junta-me setenta homens entre os anciãos de Israel, que sabes serem os anciãos do povo e tenham autoridade sobre ele. Conduze-os à tenda de reunião, onde estarão contigo.
17. Então descerei e ali falarei contigo. Tomarei do espírito que está em ti e o derramarei sobre eles, para que possam levar contigo a carga do povo e não estejas mais sozinho.
18. Dirás ao povo: santificai-vos para amanhã, e tereis carne para comer, pois chorasses aos ouvidos do Eterno, dizendo: Quem nos dará carne para comer? Estávamos tão bem no Egito!… O Senhor vos dará carne, e comereis.
19. E comereis não só um dia, nem dois, nem cinco, nem dez, nem vinte,
20. mas durante um mês inteiro, até que ela vos saia pelas narinas e vos cause nojo: porque rejeitasses o Senhor que está no meio de vós e dissestes-lhe chorando: por que saímos nós do Egito?”
21. Moisés disse: “Este povo, no meio do qual estou, conta seiscentos mil homens de pé, e dizeis que lhes dareis carne para que comam um mês inteiro!
22. Porventura matar-se-á tanta quantidade de ovelhas e bois até que tenham bastante? Ou juntar-se-ão todos os peixes do mar para fartá-los?”
23. O Senhor respondeu a Moisés: “Acaso será impotente a mão do Senhor? Verás sem demora se se fará ou não o que eu te disse.”
24. Moisés saiu e referiu ao povo as palavras do Senhor. Reuniu setenta homens dos anciãos do povo e os colocou em volta da tenda.
25. O Senhor desceu na nuvem e falou a Moisés; tomou uma parte do espírito que o animava e a pôs sobre os setenta anciãos. Apenas repousara o espírito sobre eles, começaram a profetizar; mas não continuaram.
26. Dois homens tinham ficado no acampamento: um chamava-se Eldad e o outro, Medad, e o espírito repousou também sobre eles, pois tinham sido alistados, mas não tinham ido à tenda; e profetizaram no acampamento.
27. Um jovem correu a dar notícias a Moisés: “Eldad e Medad, disse ele, profetizam no acampamento.”
28. Então Josué, filho de Nun, servo de Moisés desde a sua juventude, tomou a palavra: “Moisés, disse ele, meu senhor, impede-os.”
29. Moisés, porém, respondeu: “Por que és tão zeloso por mim? Prouvera a Deus que todo o povo do Senhor profetizasse, e que o Senhor lhe desse o seu espírito!”
30. E Moisés retirou-se do acampamento com os anciãos de Israel.
31. Um vento mandado pelo Senhor, vindo das bandas do mar, trouxe consigo codornizes, e derramou-as sobre o acampamento, numa extensão de cerca de um dia de caminho para ambos os lados em volta do acampamento; e cobriam o solo, cerca de dois côvados de alto sobre a superfície da terra.
32. Levantou-se então o povo, e ajuntou durante todo aquele dia, toda a noite e todo o dia seguinte tantas codornizes, que aquele que menos ajuntou conseguiu encher dez homeres. E estenderam-nas, para si mesmos, em toda a volta do acampamento.
33. Ainda a carne estava nos seus dentes, e ainda não estava mastigada, quando a cólera do Senhor se inflamou contra o povo e o Senhor feriu o povo com um grande flagelo.
34. Chamou-se àquele lugar Quibrot-Hataava, porque ali sepultou-se o povo que se deixara dominar pelo desordenado.
35. De Quibrot-Hataava, partiu o povo para Haserot, onde se deteve.
Números 12
1. Maria e Aarão criticara Moisés por causa da mulher etíope que ele desposara. (Moisés tinha, com efeito, tomado uma mulher etíope.)
2. “Porventura é só por Moisés, diziam eles, que o Senhor fala? Não fala ele também por nós?” E o Senhor ouviu isso.
3. Ora, Moisés era um homem muito paciente, o mais paciente da terra.
4. Logo falou o Senhor a Moisés, a Aarão e a Maria: “Ide todos os três à tenda de reunião.” E eles foram.
5. O Senhor desceu na coluna de nuvem e parou à entrada da tenda. Chamou Aarão e Maria, e eles aproximaram-se.
6. “Ouvi bem, disse ele, o que vou dizer: Se há entre vós um profeta, eu lhe aparecerei em visão; eu, o Senhor, é em sonho que lhe falarei.
7. Mas não é assim a respeito de meu servo Moisés, que é fiel em toda a minha casa.
8. A ele eu lhe falo face a face, manifesto-me a ele sem enigmas, e ele contempla o rosto do Senhor. Por que vos atrevestes, pois, a falar contra o meu servo Moisés?”
9. A cólera do Senhor se acendeu contra eles.
10. O Senhor partiu, e a nuvem retirou-se de sobre a tenda. No mesmo instante, Maria foi ferida por uma lepra branca como a neve. Aarão, olhando para ela, viu-a coberta de lepra.
11. Aarão disse então a Moisés: “Rogo-te, meu senhor, não nos faças levar o peso desse pecado que cometemos num momento de loucura, e do qual somos culpados.
12. Que ela não fique como um aborto que sai do ventre de sua mãe, com a carne já meio consumida!”
13. Moisés orou ao Senhor: “Ó Deus, disse ele, rogo-vos que a cureis.”
14. O Senhor disse a Moisés: “Se seu pai lhe tivesse cuspido no rosto, não estaria ela coberta de vergonha durante sete dias? Que ela seja excluída do acampamento durante sete dias; depois será novamente reintegrada.”
15. Maria foi, pois, excluída do acampamento durante sete dias e o povo não se moveu daquele lugar, enquanto ela não foi novamente reintegrada.
16. Depois disso, o povo partiu de Haserot, e acampou no deserto de Farã.
Números 13
1. O Senhor disse a Moisés:
2. “Envia homens para explorar a terra de Canaã, que eu hei de dar aos filhos de Israel. Enviarás um homem de cada tribo patriarcal, tomados todos entre os príncipes.”
3. Enviou-os Moisés do deserto de Farã segundo as ordens do Senhor; todos esses homens eram príncipes em Israel.
4. Eis os seus nomes: da tribo de Rubem, Samua, filho de Zecur;
5. da tribo de Simeão, Safat, filho de Huri;
6. da tribo de Judá, Caleb, filho de Jefoné;
7. da tribo de Issacar, Igal, filho de José;
8. da tribo de Efraim, Oséias, filho de Nun;
9. da tribo de Benjamim, Falti, filho de Rafu;
10. da tribo de Zabulon, Gediel, filho de Sodi;
11. da tribo de José, na tribo de Manassés, Gadi, filho de Susi;
12. da tribo de Dã, Amiel, filho de Gemali;
13. da tribo de Aser, Stur, filho de Miguel;
14. da tribo de Neftali, Naabi, filho de Vapsi;
15. da tribo de Gad, Guel, filho de Maqui.
16. Estes são os nomes dos homens que Moisés enviou como exploradores a Canaã. Moisés deu a Oséias, filho de Nun, o nome de Josué.
17. Enviando-os a explorar a terra de Canaã, Moisés disse-lhes: “Ide pelo Negeb e subi a montanha.
18. Examinai que terra é essa, e o povo que a habita, se é forte ou fraco, pequeno ou numeroso.
19. Vede como é a terra onde habita, se é boa ou má, e como são as suas cidades, se muradas ou sem muros;
20. examinai igualmente se o terreno é fértil ou estéril, e se há árvores ou não. Coragem! E trazei-nos dos frutos da terra.” Era então a época das primeiras uvas.
21. Partiram, pois, e exploraram a terra desde o deserto de Sin até Roob, no caminho de Emat.
22. Subiram ao Negeb e foram a Hebron, onde se encontravam Aquimã, Sisai e Tolmai, filhos de Enac. Hebron fora construída sete anos antes de Tânis, no Egito.
23. Chegaram ao vale de Escol, onde cortaram um ramo de vide com um cacho de uvas, que dois homens levaram numa vara; tomaram também consigo romãs e figos.
24. Chamou-se a esse lugar vale de Escol, por causa do cacho que nele haviam cortado os israelitas.
25. Tendo voltado os exploradores, passados quarenta dias,
26. foram ter com Moisés e Aarão e toda a assembléia dos israelitas em Cades, no deserto de Farã. Diante deles e de toda a multidão relataram a sua expedição e mostraram os frutos da terra.
27. Eis como narraram a Moisés a sua exploração: “Fomos à terra aonde nos enviaste. É verdadeiramente uma terra onde corre leite e mel, como se pode ver por esses frutos.
28. Mas os habitantes dessa terra são robustos, suas cidades grandes e bem muradas; vimos ali até mesmo filhos de Enac.
29. Os amalecitas habitam na terra do Negeb; os hiteus, os jebuseus e os amorreus habitam nas montanhas, e os cananeus habitam junto ao mar e ao longo do Jordão.”
30. Caleb fez calar o povo que começava a murmurar contra Moisés, e disse: “Vamos e apoderemo-nos da terra, porque podemos conquistá-la.”
31. Mas os outros, que tinham ido com ele, diziam: “Não somos capazes de atacar esse povo; é mais forte do que nós.”
32. E diante dos filhos de Israel depreciaram a terra que tinham explorado: “A terra, disseram eles, que exploramos, devora os seus habitantes: os homens que vimos ali são de uma grande estatura;
33. vimos até mesmo gigantes, filhos de Enac, da raça dos gigantes; parecíamos gafanhotos comparados com eles.”
Números 14
1. Toda a assembléia pôs-se a gritar e chorou aquela noite.
2. Todos os israelitas murmuraram contra Moisés e Aarão, dizendo: “Oxalá tivéssemos morrido no Egito ou neste deserto!
3. Por que nos conduziu o Senhor a esta terra para morrermos pela espada? Nossas mulheres e nossos filhos serão a presa do inimigo. Não seria melhor que voltássemos para o Egito?”
4. E diziam uns para os outros: “Escolhamos um chefe e voltemos para o Egito.”
5. Moisés e Aarão caíram com o rosto por terra diante de toda a assembléia dos israelitas.
6. Josué, filho de Nun, e Caleb, filho de Jefoné, que tinham explorado a terra,
7. rasgaram as suas vestes e disseram a toda a assembléia dos israelitas: “A terra que percorremos é muito boa.
8. Se o Senhor nos for propício, introduzir-nos-á nela e no-la dará; é uma terra onde corre leite e mel.
9. Somente não vos revolteis contra o Senhor, e não tenhais medo do povo dessa terra: devorá-lo-emos como pão. Não há mais salvação para eles, porque o Senhor está conosco. Não tenhais medo deles.”
10. Toda a assembléia estava a ponto de apedrejá-los, quando a glória do Senhor apareceu sobre a tenda de reunião a todos os israelitas.
11. O Senhor disse a Moisés: “Até quando me desprezará esse povo? Até quando não acreditará em mim, apesar de todos os prodígios que fiz no meio dele?
12. Vou destruí-lo, ferindo-o de peste, mas farei de ti uma nação maior e mais poderosa do que ele.”
13. Moisés disse ao Senhor: “Os egípcios viram que, por vosso poder, tirastes este povo do meio deles e o disseram aos habitantes dessa terra.
14. Todo mundo sabe, ó Senhor, que estais no meio desse povo, e sois visto face a face, ó Senhor, que vossa nuvem está sobre eles e marchais diante deles de dia numa coluna de nuvem, e de noite numa coluna de fogo.
15. Se fizerdes morrer todo esse povo, as nações que ouviram falar de vós dirão:
16. o Senhor foi incapaz de introduzir o povo na terra que lhe havia jurado dar, e exterminou-o no deserto.
17. Agora, pois, rogo-vos que o poder do Senhor se manifeste em toda a sua grandeza, como o dissestes:
18. O Senhor é lento para a cólera e rico em bondade; ele perdoa a iniqüidade e o pecado, mas não tem por inocente o culpado, e castiga a iniqüidade dos pais nos filhos até a terceira e a quarta geração.
19. Perdoai o pecado desse povo segundo a vossa grande misericórdia, como já o tendes feito desde o Egito até aqui.”
20. O Senhor respondeu: “Eu perdôo, conforme o teu pedido.
21. Mas, pela minha vida e pela minha glória que enche toda a terra,
22. nenhum dos homens que viram a minha glória e os prodígios que fiz no Egito e no deserto, que me provocaram já dez vezes e não me ouviram,
23. verá a terra que prometi com juramento aos seus pais. Nenhum daqueles que me desprezaram a verá.
24. Quanto ao meu servo Caleb, porém, que animado de outro espírito me obedeceu fielmente, eu o introduzirei na terra que ele percorreu, e a sua posteridade a possuirá.
25. Visto que os amalecitas e os cananeus habitam no vale, voltai amanhã e parti para o deserto em direção ao mar Vermelho.”
26. O Senhor disse a Moisés e a Aarão:
27. “Até quando sofrerei eu essa assembléia revoltada que murmura contra mim? Ouvi as murmurações que os israelitas proferem contra mim.
28. Dir-lhes-ás: juro por mim mesmo, diz o Senhor, tratar-vos-ei como vos ouvi dizer.
29. Vossos cadáveres cairão nesse deserto. Todos vós que fostes recenseados da idade de vinte anos para cima, e que murmurastes contra mim,
30. não entrareis na terra onde jurei estabelecer-vos, exceto Caleb, filho de Jefoné, e Josué, filho de Nun.
31. Todavia, introduzirei nela os vossos filhinhos, dos quais dizíeis que seriam a presa do inimigo, e eles conhecerão a terra que desprezastes.
32. Quanto a vós, os vossos cadáveres ficarão nesse deserto,
33. onde os vossos filhos guardarão os seus rebanhos durante quarenta anos, pagando a pena de vossas infidelidades, até que vossos cadáveres apodreçam no deserto.
34. Explorastes a terra em quarenta dias; tantos anos quantos foram esses dias pagareis a pena de vossas iniqüidades, ou seja, durante quarenta anos, e vereis o que significa ser objeto de minha vingança.
35. Eu, o Senhor, o disse. Eis como hei de tratar essa assembléia rebelde que se revoltou contra mim. Eles serão consumidos e mortos nesse deserto!”
36. Os homens que Moisés tinha enviado a explorar a terra e que, depois de terem voltado, tinham feito murmurar contra ele toda a assembléia,
37. depreciando a terra, morreram feridos por uma praga, diante do Senhor.
38. Somente Josué, filho de Nun, e Caleb, filho de Jefoné, sobreviveram entre todos os que tinham explorado a terra.
39. Moisés referiu tudo isso aos filhos de Israel, e o povo ficou profundamente desolado.
40. Levantaram-se de madrugada e se puseram a caminho para o cimo do monte dizendo: “Estamos prontos a subir para o lugar de que falou o Senhor, porque pecamos.”
41. Moisés disse-lhes: “Por que transgredis a ordem do Senhor? Isto não será bem sucedido.
42. Não subais; sereis derrotada por vossos inimigos, pois o Senhor não está no meio de vós.
43. Os amalecitas e os cananeus estão diante de vós, e sucumbireis sob a sua espada, porque vos desviasses do Senhor. O Senhor não estará convosco.”
44. Eles obstinaram-se em querer subir até o cimo do monte; a arca da aliança do Senhor, porém, e Moisés, não saíram do acampamento.
45. Então os amalecitas e os cananeus, que habitavam nessa montanha, desceram e, tendo-os batido e retalhado, perseguiram-nos até Horma.
Números 15
1. O Senhor disse a Moisés: “Dize aos israelitas o seguinte:
2. quando entrardes na terra de vossa habitação, que eu vos hei de dar,
3. e oferecerdes ao Senhor algum sacrifício pelo fogo, seja holocausto, seja um simples sacrifício, quer em cumprimento de um voto, quer como oferta espontânea, ou por ocasião de uma festa, para apresentar uma oferta de agradável odor ao Senhor, com vossos bois ou vossas ovelhas,
4. aquele que fizer essa oferta apresentará ao Senhor em oblação um décimo de flor de farinha amassada com um quarto de hin de óleo.
5. E, para a libação, acrescentará um quarto de hin de vinho ao holocausto ou ao sacrifício de cada cordeiro.
6. Para um carneiro oferecerás dois décimos de flor de farinha amassada com um terço de hin de óleo,
7. ajuntando uma libação de um terço de hin de vinho, como oferta de agradável odor ao Senhor.
8. Quando ofereceres um touro em holocausto ou em sacrifício, para o cumprimento de um voto ou em sacrifício pacífico ao Senhor,
9. darás com o touro uma oblação de três décimos de flor de farinha amassada com meio hin de óleo,
10. ajuntando uma libação de meio hin de vinho; isto é um sacrifício feito pelo fogo, de agradável odor ao Senhor.
11. O mesmo se fará para cada boi, cada carneiro, cordeiro ou cabrito.
12. Assim fareis para cada um desses sacrifícios, seja qual for o número das vítimas que oferecerdes.
13. Todos os nativos procederão do mesmo modo, quando oferecerem um sacrifício pelo fogo de agradável odor ao Senhor.
14. Se um estrangeiro que habita no meio de vós, ou qualquer outro homem que venha mais tarde a se estabelecer entre vós, oferecer um sacrifício pelo fogo de agradável odor ao Senhor, fará o mesmo que vós.
15. Só haverá uma lei, a mesma para vós, para a assembléia e para o estrangeiro que habita no meio de vós. Esta é uma lei perpétua para vossos descendentes: diante do Senhor será a mesma coisa tanto para vós como para o estrangeiro.
16. Haverá uma só lei e uma só regra para vós e para o estrangeiro que habita no meio de vós.”
17. O Senhor disse a Moisés:
18. “Dize aos israelitas o seguinte:
19. quando chegardes à terra para onde vos levo, e comerdes o pão daquela terra, reservareis uma oferta para o Senhor.
20. Essa oferta será um bolo feito das primícias de vossa farinha: separá-la-eis como se separa a oferta da eira.
21. Como primícias de vossa farinha, vós e vossos descendentes separareis uma oferta para o Senhor”.
22. “Se pecardes involuntariamente, deixando de observar um desses mandamentos que o Senhor deu a Moisés,
23. tudo o que por ele vos ordenou desde o dia em que o Senhor vos deu os seus mandamentos, e daí por diante em vossas gerações futuras,
24. se alguém pecar involuntariamente, e a assembléia não o tiver notado, toda a assembléia oferecerá em holocausto de agradável odor ao Senhor um novilho, com sua oblação e sua libação, segundo o rito prescrito, bem como um bode em sacrifício pelo pecado.
25. O sacerdote fará a expiação por toda a assembléia dos israelitas, e lhes será perdoado, porque é um pecado involuntário, e apresentaram sua oferta ao Senhor, um sacrifício feito pelo fogo e seu sacrifício pelo pecado para reparar o seu erro.
26. Será perdoado a toda a assembléia dos filhos de Israel, e ao estrangeiro que mora no meio deles, porque é uma culpa que todo o povo cometeu involuntariamente.
27. Se for uma só pessoa que pecou involuntariamente, oferecerá uma cabra de um ano em sacrifício pelo pecado.
28. O sacerdote fará a expiação diante do Senhor por essa pessoa que pecou involuntariamente; feita a expiação, será perdoada.
29. Tereis uma só lei para aquele que pecar involuntariamente, quer sejam israelitas, quer sejam estrangeiros que habitem no meio deles.
30. Aquele, porém, que pecar conscientemente, ultraja o Senhor; ele será cortado do meio de seu povo,
31. porque desprezou a palavra do Senhor e violou o seu preceito; será cortado e levará o peso de sua iniqüidade.”
32. Ora, aconteceu que, estando os israelitas no deserto, encontraram um homem ajuntando lenha num dia de sábado.
33. Os que o acharam apanhando lenha, levaram-no a Moisés e a Aarão, diante de toda a assembléia.
34. Eles meteram-no em guarda, pois não estava ainda determinado o que se lhe devia fazer.
35. O Senhor disse a Moisés: “Que esse homem seja punido de morte, e a assembléia o apedreje fora do acampamento.”
36. Levaram-no para fora do acampamento e toda a assembléia o apedrejou, e ele morreu, como o Senhor tinha ordenado a Moisés.
37. O Senhor disse a Moisés:
38. “Dize aos israelitas que façam para eles e seus descendentes borlas nas extremidades de suas vestes, pondo na borla de cada canto um cordão de púrpura violeta.
39. Fareis essas borlas para que, vendo-as, vos recordeis de todos os mandamentos do Senhor, e os pratiqueis, e não vos deixeis levar pelos apetites de vosso coração e de vossos olhos que vos arrastam à infidelidade.
40. Desse modo, vós vos lembrareis de todos os meus mandamentos, e os praticareis, e sereis consagrados ao vosso Deus.
41. Eu sou o Senhor vosso Deus, que vos tirei do Egito para ser o vosso Deus. Eu sou o Senhor vosso Deus.”
Números 16
1. Coré, filho de Isaar, filho de Caat, filho de Levi, Datã e Abiron, filhos de Eliab, e Hon, filho de Felet, todos filhos de Rubem,
2. levantaram-se contra Moisés, juntamente com outros duzentos e cinqüenta israelitas, príncipes da assembléia, membros do conselho e homens notáveis.
3. Dirigiram-se, pois, em grupo a Moisés e a Aarão, dizendo-lhes: “Basta! Toda a assembléia é santa, todos o são, e o Senhor está no meio deles. Por que vos colocais acima da assembléia do Senhor?”
4. Ouvindo isto, Moisés lançou-se com o rosto por terra,
5. e disse a Coré e aos seus cúmplices: “Amanhã o Senhor fará conhecer quem é dele e quem é santo, e o fará aproximar de si; fará aproximar de si aquele que ele escolher.
6. Eis o que tendes a fazer: cada um tome o seu turíbulo: tu, Coré, e todos os teus sequazes.
7. Amanhã poreis fogo em vossos turíbulos e queimareis neles o incenso diante do Senhor. O homem que o Senhor escolher, esse é santo. Isso já é demais, ó filhos de Levi!”
8. Disse mais a Coré: “Ouvi, agora, ó filhos de Levi.
9. Não vos basta que o Deus de Israel vos tenha separado da assembléia de Israel, e vos tenha trazido para junto de si, para o serviço do tabernáculo do Senhor e para estardes a serviço da assembléia?
10. Fez-te aproximar dele, tu e todos os teus irmãos, os levitas, e ainda disputais o sacerdócio!
11. E é por isso que vos amotinais contra o Senhor, tu e todo o teu grupo! E quem é Aarão para murmurardes contra ele?”
12. Moisés convocou Datã e Abiron, filhos de Eliab. Mas eles responderam: “Não iremos.
13. Porventura não te basta ter-nos tirado de uma terra onde corria leite e mel, para nos fazeres morrer no deserto, e ainda queres tornar-te nosso senhor?
14. Na verdade não nos conduziste a uma terra onde corre leite e mel; não nos deste em herança nem campos nem vinhas. Pensas que taparás os olhos de toda essa gente? Nós não iremos.”
15. Moisés, muito irado, disse ao Senhor: “Não olheis para a sua oblação. Vós sabeis que nunca recebi deles nem mesmo um asno, e a nenhum deles fiz o menor mal.”
16. Moisés disse a Coré: “Tu e todos os teus sequazes, apresentai-vos amanhã diante do Senhor, com Aarão.
17. Tomai cada qual vosso turíbulo, pondo incenso nele e apresentai cada qual vosso turíbulo diante do Senhor: isto é, duzentos e cinqüenta turíbulos. Tu e Aarão tomareis também o vosso turíbulo.”
18. Tomaram, pois, cada um o seu turíbulo, puseram-lhe fogo e deitaram por cima o incenso; e conservaram-se de pé com Moisés e Aarão à entrada da tenda de reunião.
19. Coré tinha reunido perto de si toda a assembléia à entrada da tenda de reunião. E eis que a glória do Senhor apareceu a toda a assembléia,
20. e o Senhor falou a Moisés e a Aarão:
21. “Retirai-vos do meio dessa assembléia, e eu os consumirei neste instante.”
22. Eles prostraram-se com o rosto por terra, e disseram: “Ó Deus, Deus dos espíritos de toda a carne, um só homem pecou, e tu te iras contra toda a assembléia?”
23. O Senhor respondeu a Moisés:
24. “Manda ao povo: apartai-vos de junto das tendas de Coré, de Datã e de Abiron.”
25. Moisés levantou-se e, seguido dos anciãos, dirigiu-se aonde estavam Datã e Abiron.
26. “Afastai-vos, disse ele à assembléia, das tendas desses homens perversos, e não toqueis coisa alguma que lhes pertença, para que não morrais, envolvidos em todos os seus pecados.”
27. Afastando-se o povo de junto das tendas de Coré, Datã e Abiron, saíram estes últimos com suas mulheres, seus filhos e seus filhinhos, e pararam à entrada de suas tendas.
28. Moisés disse então: “Nisto conhecereis que o Senhor me enviou a fazer todas estas obras e que nada faço por mim mesmo.
29. Se estes morrerem com a morte ordinária dos homens, e se a sua sorte for como a de todos, o Senhor não me enviou;
30. mas se o Senhor fizer um novo prodígio e o solo abrindo a sua boca, os engolir com tudo o que lhes pertence, de sorte que desçam vivos à habitação dos mortos, então sabereis que estes homens desprezaram o Senhor.”
31. Apenas acabou ele de falar, fendeu-se a terra debaixo de seus pés
32. e, abrindo sua boca, os devorou com toda a sua família, todos os seus bens e todos os homens de Coré.
33. Desceram vivos à morada dos mortos, eles e tudo o que possuíam; cobriu-os a terra, e desapareceram da assembléia.
34. Todo o Israel que estava ao redor deles, ouvindo o grito que soltaram, fugiu, dizendo: “Cuidemos que a terra não nos engula também a nós!”
35. Saiu um fogo de junto do Senhor e devorou os duzentos e cinqüenta homens que ofereciam o incenso.
Números 17
1. O Senhor disse a Moisés:
2. “Dize a Eleazar, filho do sacerdote Aarão, que tire os turíbulos que estão no meio do incêndio, e espalhe ao longe o fogo, pois são objetos consagrados.
3. Com os turíbulos desses homens que pecaram e perderam a vida, façam-se lâminas para cobrir o altar, porque foram apresentados ao Senhor e estão santificados. Ficarão como um sinal para os israelitas.”
4. O sacerdote Eleazar tirou, pois, os turíbulos de bronze que os homens consumidos pelo fogo tinham apresentado ao Senhor, e fez deles lâminas para cobrir o altar.
5. Isso devia servir de memorial para os israelitas, a fim de que nenhum estranho à linhagem de Aarão, se aproximasse para oferecer incenso ao Senhor, temendo lhe acontecesse o mesmo que a Coré e a seus homens, como o Senhor tinha declarado pela boca de Moisés.
6. Ora, no dia seguinte, toda a comunidade dos israelitas murmurou contra Moisés e Aarão: “Matastes o povo do Senhor”, diziam eles.
7. E, crescendo o tumulto, Moisés e Aarão voltaram-se para o lado da tenda de reunião e viram a nuvem que a cobria; e apareceu a glória do Senhor.
8. Eles foram e colocaram-se diante da tenda de reunião,
9. e o Senhor falou a Moisés:
10. “Afastai-vos do meio dessa assembléia, pois vou devorá-la num instante.” Prostraram-se por terra,
11. e Moisés disse a Aarão: “Toma o turíbulo, põe-lhe fogo do altar, deita-lhe incenso por cima e vai depressa ao povo para fazer expiação por ele; porque acendeu-se a cólera do Senhor, e o flagelo começa.”
12. Aarão, obedecendo à palavra de Moisés, tomou o turíbulo e correu ao meio da assembléia, pois a praga começava já no meio do povo; deitou nele o incenso e fez a expiação pelo povo.
13. Colocando-se de pé entre os mortos e os vivos, deteve o flagelo.
14. Com esse golpe morreram catorze mil e setecentos, além dos que tinham perecido na rebelião de Coré.
15. Aarão voltou para junto de Moisés, à entrada da tenda de reunião, e o flagelo terminou.
16. O Senhor disse a Moisés:
17. “Fala aos israelitas. Que eles te dêem uma vara por tribo, ou seja, doze varas de todos os príncipes das doze casas patriarcais. Escreverás o nome de cada um na sua vara;
18. na vara de Levi escreverás o nome de Aarão, porque haverá uma vara por tribo.
19. Depô-las-ás na tenda de reunião, diante do testemunho, no lugar onde me encontro convosco.
20. E eis que a vara de meu eleito florescerá, e desse modo farei cessar diante de mim as murmurações dos filhos de Israel contra vós.”
21. Moisés falou aos israelitas, e todos os príncipes lhe deram a vara, um de cada tribo, ou seja, doze varas pelas doze tribos, entre as quais também a de Aarão.
22. Moisés as pôs diante do Senhor na tenda do testemunho.
23. Voltando no dia seguinte, entrou no pavilhão, e eis que tinha florescido a vara de Aarão, pela tribo de Levi: tinham aparecido botões, saído flores e amadurecido amêndoas.
24. Moisés levou todas as varas de diante do Senhor aos israelitas. Eles viram o (prodígio) e receberam cada um a sua vara.
25. O Senhor disse então a Moisés: “Torna a levar a vara de Aarão para diante da tenda do testemunho, e seja ali conservada como um sinal para todos aqueles que quiserem revoltar-se, e assim possas pôr um termo às murmurações diante de mim, para que não morram.”
26. Moisés executou a ordem que o Senhor lhe tinha dado.
27. Os israelitas disseram a Moisés: “Nós pereceremos, estamos perdidos, sim, estamos todos perdidos!
28. Qualquer que se aproxime do tabernáculo do Senhor, morre. Acaso seremos todos exterminados?”
Números 18
1. O Senhor disse a Aarão: “Tu, teus filhos e tua família contigo, levareis a responsabilidade dos pecados cometidos no santuário. Tu e teus filhos contigo, levareis a responsabilidade dos pecados cometidos em vosso sacerdócio.
2. Farás aproximarem-se do santuário contigo os teus irmãos, a tribo de Levi e a tribo de teu pai, para que se juntem a ti e te ajudem quando estiveres com teus filhos diante da tenda do testemunho.
3. Eles farão o serviço que te é devido e o serviço da tenda, mas não se aproximarão dos objetos sagrados, nem do altar, para que não morram, e vós juntamente com eles.
4. Ser-te-ão, pois, associados, e terão a seu cuidado a tenda de reunião para fazer todo o seu serviço. Nenhum estrangeiro se aproximará de vós.
5. Fareis o serviço do santuário e do altar, para que não venha de novo a cólera ferir os israelitas.
6. Fui eu que escolhi os levitas, vossos irmãos, entre os israelitas. Dados ao Senhor, vos são de novo entregues para fazerem o serviço da tenda de reunião.
7. Tu, porém, e teus filhos contigo, exercereis o vosso sacerdócio no altar e atrás do véu: este é o vosso serviço. O sacerdócio é um dom que eu vos faço; o estrangeiro que se aproximar será morto”.
8. O Senhor disse a Aarão: “Dou-te o que se reserva de tudo o que é separado para mim, dentre todas as coisas consagradas dos israelitas: dou-o a ti e a teus filhos em virtude de uma lei perpétua, por causa da unção que recebeste.
9. Eis o que receberás das coisas santíssimas que não são queimadas; todas as suas ofertas, oblações, sacrifícios pelo pecado, sacrifícios de reparação; todas essas coisas santíssimas serão para ti e teus filhos.
10. Tu as comerás em lugar santíssimo. Todo varão poderá comer delas; e serão para ti coisas sagradas.
11. Eis ainda o que será teu: o que é tomado dentre os dons, dentre toda oferta agitada dos israelitas. Eu o dou a ti, a teus filhos e a tuas filhas em virtude de uma lei perpétua. Todo membro de tua família que estiver puro comerá dessas coisas.
12. Dou-te também as primícias que os israelitas oferecerem ao Senhor: o melhor de seu óleo, de seu vinho e de seu trigo.
13. Serão para ti as primícias dos produtos da terra que trouxerem ao Senhor. Todo membro de tua família que estiver puro poderá comer delas.
14. Tudo o que for votado ao interdito em Israel será teu.
15. Será teu igualmente todo primogênito de toda criatura, homem ou animal, que os israelitas oferecerem ao Senhor; ordenarás, não obstante, que se resgate o primogênito do homem, assim como os primogênitos dos animais impuros.
16. O seu resgate far-se-á logo que ele tiver um mês, segundo tua estimação, à razão de cinco siclos de prata (conforme o siclo do santuário, que vale vinte gueras).
17. Mas não farás resgatar o primogênito da vaca, nem o da ovelha, nem o da cabra: estes são coisas sagradas. Derramarás o seu sangue sobre o altar e queimarás a sua gordura em sacrifício feito pelo fogo, de agradável odor ao Senhor.
18. Sua carne será para ti da mesma forma que o peito agitado e a perna direita.
19. Tudo o que é tomado das coisas santas que os israelitas oferecem ao Senhor, dou-o a ti, a teus filhos e a tuas filhas em virtude de uma lei perpétua. Esta é uma aliança de sal, que vale perpetuamente diante do Senhor, para ti e para toda a tua posteridade contigo.”
20. O Senhor disse a Aarão: “Não possuirás nada na terra deles, e não terás parte alguma entre eles. Eu sou a tua parte e a tua herança no meio dos israelitas.
21. Quanto aos levitas, dou-lhes como patrimônio todos os dízimos de Israel pelo serviço que prestam na tenda de reunião.
22. Os israelitas não se aproximarão mais da tenda de reunião, para que não caia sobre eles o peso de um pecado que lhes cause a morte.
23. São os levitas que farão o trabalho na tenda de reunião e que levarão a responsabilidade de suas faltas: esta é uma lei perpétua para todos os vossos descendentes. Eles não terão herança no meio dos israelitas,
24. porque lhes dou como herança os dízimos que os israelitas tomarem para o Senhor. Eis por que declaro que eles não possuirão herança alguma no meio dos israelitas.”
25. O Senhor disse a Moisés:
26. “Dirás aos levitas: quando receberdes dos israelitas o dízimo que vos dei de seus bens por vossa herança, tomareis dele uma oferta para o Senhor: o dízimo do dízimo.
27. Esta reserva será como o trigo tomado da eira e como o vinho tomado do lagar.
28. Desse modo, fareis também vós uma reserva devida ao Senhor de todos os dízimos que receberdes dos israelitas, e esta oferta reservada para o Senhor, vós a entregareis ao sacerdote Aarão.
29. De todos os dons que receberdes, separareis uma parte para o Senhor: tomareis a porção consagrada do que houver de melhor em vossos dízimos.
30. Dir-lhes-ás: quando tiverdes separado o melhor do dízimo, o resto será para os levitas como o produto da eira ou do lagar:
31. podereis comê-lo com vossa família, porque é o vosso salário pelo serviço que prestais na tenda de reunião.
32. Não cometereis pecado algum por causa disso, e não profanareis as santas ofertas dos israelitas, quando tiverdes separado o melhor do dízimo, para que não morrais.”
Números 19
1. O Senhor disse a Moisés e a Aarão:
2. “Eis a prescrição legal que o Senhor vos dá: dize aos israelitas que te tragam uma vaca vermelha sem defeito, sem mancha e que não tenha ainda levado o jugo.
3. Entregá-la-eis ao sacerdote Eleazar, o qual, levando-a para fora do acampamento, imolá-la-á à vista de todos.
4. O sacerdote Eleazar tomará o sangue do animal com o dedo e fará com ele sete aspersões para o lado da entrada da tenda de reunião.
5. A vaca será em seguida queimada à vista de todos: queimar-se-á o couro, a carne, o sangue e os excrementos.
6. O sacerdote tomará pau de cedro, hissopo e carmesim, e os jogará nas chamas que queimam a vaca.
7. O sacerdote lavará suas vestes e banhar-se-á em água. Depois disso voltará ao acampamento, e será impuro até a tarde.
8. Aquele que tiver queimado a vaca lavará suas vestes e banhar-se-á em água, e será impuro até a tarde.
9. Um homem puro recolherá a cinza da vaca e a deporá em um lugar puro fora do acampamento, onde será guardada pela assembléia dos israelitas para a água lustral. Este é um sacrifício pelo pecado.
10. Aquele que tiver recolhido a cinza da vaca lavará suas vestes e será impuro até a tarde. Esta será uma lei perpétua para os israelitas e para o estrangeiro que habita no meio deles.
11. Quem tocar o cadáver de um homem qualquer será impuro sete dias;
12. purificar-se-á com esta água ao terceiro e ao sétimo dia, e será puro; mas se ele não se purificar ao terceiro e ao sétimo dia, não será puro.
13. Todo que tiver tocado o cadáver de um homem qualquer, e não se purificar, manchará a casa do Senhor; será cortado de Israel. Não tendo corrido sobre ele a água lustral, ficará impuro, e sua impureza permanecerá sobre ele.
14. Esta é a lei: tudo o que penetrar na tenda em que morrer um homem será impuro durante sete dias, e igualmente tudo o que ali se encontrar.
15. O vaso aberto, sem tampa, será também impuro.
16. Se alguém, em pleno campo, tocar em um homem morto pela espada, em um cadáver, em ossos humanos, ou em um sepulcro, será impuro durante sete dias.
17. Para quem se tiver assim manchado, tomar-se-á da cinza da vítima queimada pelo pecado, e se deitará por cima dela, dentro de um vaso, água viva.
18. Em seguida, um homem puro, depois de ter molhado nela um hissopo, aspergirá com ele a tenda, todo o seu mobiliário, todas as pessoas que aí se encontram, bem como a pessoa que tocou nos ossos, ou no homem assassinado, ou no cadáver, ou no sepulcro.
19. O homem puro aspergirá o impuro ao terceiro e ao sétimo dia e o purificará no sétimo dia. Lavará as suas vestes e a si mesmo, e à tarde será puro.
20. O homem impuro que não se purificar será cortado da assembléia, porque ele mancha o santuário do Senhor. Não tendo corrido sobre ele a água lustral, ele permanece impuro.
21. Esta será para eles uma lei perpétua. Aquele que tiver feito a aspersão com a água lustral deverá lavar suas vestes. Todo que tocar a água lustral será impuro até a tarde.
22. Tudo o que tocar o impuro será manchado, e a pessoa que o tocar será impura até a tarde.”
Números 20
1. Toda a assembléia dos filhos de Israel chegou ao deserto de Sin no primeiro mês. O povo ficou em Cades; ali morreu Maria, que foi sepultada no mesmo lugar.
2. Como não houvesse água para a assembléia, o povo se ajuntou contra Moisés e Aarão,
3. procurou disputar com Moisés e gritou: “Oxalá tivéssemos perecido com nossos irmãos diante do Senhor!
4. Por que conduziste a assembléia do Senhor a este deserto, para nos deixares morrer aqui com os nossos rebanhos?
5. Por que nos fizeste sair do Egito e nos trouxeste a este péssimo lugar, em que não se pode semear, e onde não há figueira, nem vinha, nem romãzeira, e tampouco há água para beber?”
6. Moisés e Aarão deixaram a assembléia e dirigiram-se à entrada da tenda de reunião, onde se prostraram com a face por terra. Apareceu-lhes a glória do Senhor,
7. e o Senhor disse a Moisés:
8. “Toma a tua vara e convoca a assembléia, tu e teu irmão Aarão. Ordenareis ao rochedo, diante de todos, que dê as suas águas; farás brotar a água do rochedo e darás de beber à assembléia e aos seus rebanhos.”
9. Tomou Moisés a vara que estava diante do Senhor, como ele lhe tinha ordenado.
10. Em seguida, tendo Moisés e Aarão convocado a assembléia diante do rochedo, disse-lhes Moisés: “Ouvi, rebeldes: acaso faremos nós brotar água deste rochedo?”
11. Moisés levantou a mão e feriu o rochedo com a sua vara duas vezes; as águas jorraram em abundância, de sorte que beberam, o povo e os animais.
12. Em seguida, disse o Senhor a Moisés e Aarão: “Porque faltastes à confiança em mim para fazer brilhar a minha santidade aos olhos dos israelitas, não introduzireis esta assembléia na terra que lhe destino.”
13. Estas são as águas de Meribá, onde os israelitas se queixaram do Senhor, e onde este fez resplandecer a sua santidade.
14. De Cades, Moisés enviou mensageiros ao rei de Edom: “Eis, disseram-lhe eles, as palavras que te dirige o teu irmão Israel: sabes todos os males que temos passado.
15. Nossos pais tinham descido ao Egito, onde habitamos durante muito tempo. Os egípcios, porém, nos maltrataram, a nós e a nossos pais.
16. Clamamos ao Senhor, ele nos ouviu, e mandou-nos um anjo que nos tirou do Egito. Eis-nos agora aqui em Cades, cidade situada nos confins de teu território.
17. Deixa-nos passar pela tua terra. Não atravessaremos os campos, nem as vinhas e não beberemos a água dos poços; mas seguiremos a estrada real sem nos desviarmos nem para a direita nem para a esquerda, até que tenhamos passado o teu território.”
18. Edom respondeu: “Tu não passarás pela minha terra; do contrário, sairei ao teu encontro com a espada na mão.”
19. Disseram-lhe os israelitas: “Tomaremos a estrada comum, e se bebermos de tua água, eu e os meus rebanhos, pagar-te-ei o preço. Não há perigo algum; só queremos passar.”
20. Edom replicou: “Tu não passarás.” E veio em massa ao encontro deles com as armas na mão.
21. Recusando Edom a passagem através do seu território, Israel tomou outra direção.
22. Partiram de Cades. Toda a assembléia dos israelitas chegou ao monte Hor.
23. Nesse lugar, que está nas fronteiras da terra de Edom, o Senhor disse a Moisés e a Aarão:
24. Aarão vai ser reunido aos seus, porque ele não entrará na terra que destino aos filhos de Israel, visto terdes sido rebeldes à minha ordem nas águas de Meribá.
25. Toma Aarão e seu filho Eleazar, e leva-os ao monte Hor.
26. Despojarás Aarão de suas vestes e revestirás com elas o seu filho Eleazar. Aarão será reunido aos seus, e aí morrerá.”
27. Moisés fez como ordenou o Senhor: subiram o monte Hor à vista da assembléia.
28. Despojando Aarão de suas vestes, Moisés revestiu com elas Eleazar, filho do sacerdote. Aarão morreu ali, no cimo do monte. Moisés e Eleazar desceram de novo,
29. e toda a assembléia, ao saber da morte de Aarão, chorou-o durante trinta dias.