( Augosto 21, 2008 )

Juízes 1

1. Depois da morte de Josué, os israelitas consultaram o Senhor: Quem dentre nós será o primeiro a combater os cananeus?
2. O Senhor respondeu: Judá, pois eu entregarei a terra nas suas mãos.
3. Então Judá disse a Simeão, seu irmão: Vem comigo à terra que me coube por sorte, para combatermos contra os cananeus. Depois irei contigo à tua terra. Simeão partiu com ele.
4. Judá travou combate e o Senhor entregou-lhe os cananeus e os ferezeus; derrotaram dez mil homens em Bezec.
5. Ali encontraram Adoni-Bezec, atacaram-no e derrotaram os cananeus e os ferezeus.
6. Adoni-Bezec fugiu, mas eles o perseguiram, prenderam-no e cortaram-lhe os polegares das mãos e os hálux dos pés.
7. Adoni-Bezec disse: Setenta reis, com os polegares das mãos e os hálux dos pés cortados, apanhavam debaixo de minha mesa os sobejos da comida. Como eu fiz, assim Deus me faz. E conduziram-no a Jerusalém, onde morreu.
8. Os juditas atacaram Jerusalém e tomaram-na. Passaram os seus habitantes ao fio da espada e incendiaram a cidade.
9. Desceram dali e combateram os cananeus das montanhas, do meio-dia e da planície.
10. Judá marchou contra os cananeus de Hebron (chamada antigamente Cariat-Arbé), e derrotou Sesai, Aimã e Tolmai.
11. Marchou depois contra os habitantes de Dabir, que antigamente se chamava Cariat-Sefer.
12. Caleb tinha dito: Àquele que combater e tomar Cariat-Sefer darei por mulher minha filha Axa.
13. Otoniel, filho de Cenez, irmão mais novo de Caleb, tomou a cidade; e Caleb deu-lhe sua filha Axa por mulher.
14. Chegando Axa à casa de seu marido, ele moveu-a a que pedisse um campo ao seu pai. (E pela segunda vez) ela saltou de seu jumento, e Caleb disse-lhe: Que tens?
15. Dá-me, respondeu ela, um presente. Instalaste-me em uma terra árida; dá-me também fontes de água! E Caleb deu-lhe as fontes superiores e inferiores.
16. Os filhos de Hobab, o quenita, cunhado de Moisés, subiram da cidade das Palmeiras com os juditas, no deserto de Judá, ao sul de Arad, e vieram estabelecer-se com o povo.
17. Judá prosseguiu sua marcha com Simeão, seu irmão, e derrotaram os cananeus de Sefaat. Votaram a cidade ao interdito e ela recebeu o nome de Horma.
18. Judá tomou também Gaza e seu território, bem como Ascalon e Acaron com seus territórios.
19. O Senhor estava com Judá, e ele conquistou a montanha; porém, não pôde despojar os habitantes da planície que possuíam carros de ferro.
20. Conforme o que Moisés tinha dito, deram Hebron a Caleb, que expulsou dela os três filhos de Enac.
21. Os benjaminitas não exterminaram os jebuseus de Jerusalém; por isso, os jebuseus habitaram em Jerusalém com os benjaminitas até o presente.
22. A família de José marchou também contra Betel, e o Senhor esteve com eles.
23. E quando exploravam Betel, que antes se chamava Luz,
24. viram um homem que saía da cidade, e disseram-lhe: Mostra-nos por onde se pode entrar na cidade e usaremos de misericórdia contigo.
25. Ele indicou-lhes a entrada, e passaram a localidade ao fio da espada, poupando, porém, aquele homem com a sua família.
26. Este emigrou para a terra dos hiteus, onde construiu uma cidade, à qual pôs o nome de Luz, nome que ela conserva ainda hoje.
27. Manassés não expulsou os habitantes de Betsã com suas aldeias, nem os de Tanac, de Dor, de Jeblaão, de Magedo, com suas aldeias, porque os cananeus estavam decididos a ocupar essa terra.
28. Quando se tornaram mais fortes, os israelitas fizeram-nos tributários, mas não os despojaram.
29. Efraim não expulsou os cananeus de Geser, os quais continuaram a habitar em Geser, no meio de Efraim.
30. Zabulon não expulsou os habitantes de Cetron, nem os de Naalol; e os cananeus continuaram a habitar no meio de Zabulon, embora sujeitos ao tributo.
31. Aser não expulsou os habitantes de Aco, nem os de Sidon, nem os de Aalab, de Acasib, de Helba, de Afec e de Roob;
32. os filhos de Aser estabeleceram-se entre os cananeus, habitantes daquela terra; não os despojaram.
33. Neftali não expulsou os habitantes de Bet-Sames, nem os de Bet-Anat, e estabeleceu-se entre os cananeus, habitantes daquela terra; os betsamitas e os betanitas ficaram-lhe tributários.
34. Os amorreus repeliram os danitas para a montanha, e não os deixaram descer para a planície.
35. Persistiram em ficar em Har-Harés, em Ajalon e em Salebim; mas a mão da casa de José prevaleceu sobre eles, e tiveram de pagar o tributo.
36. O território dos amorreus estendia-se desde a costa de Acrabim e de Sela, para o norte.

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Juízes 2

1. O anjo do Senhor subiu de Gálgala a Boquim e disse: Eu vos fiz subir do Egito e vos conduzi a esta terra que eu tinha prometido com juramento a vossos pais. E vos tinha dito: jamais hei de romper a aliança que fiz convosco;
2. vós, porém, não fareis aliança com os habitantes desta terra e lançareis por terra os seus altares! Ora, vós não obedecestes à minha voz.
3. Por que fizestes isso? Por essa razão eu disse: não os expulsarei de diante de vós; eles permanecerão ao vosso lado e os seus deuses vos serão um laço.
4. Ao dizer o anjo do Senhor estas palavras aos filhos de Israel, o povo pôs-se a chorar.
5. Pelo que chamaram àquele lugar Boquim, e ofereceram ali sacrifícios ao Senhor.
6. Josué despediu o povo, e os israelitas foram cada um para a sua herança, a fim de tomar posse da terra.
7. Durante toda a vida de Josué e dos anciãos que lhe sobreviveram, e que tinham testemunhado a grande obra que o Senhor tinha feito em favor de Israel, o povo serviu o Senhor.
8. Josué, filho de Nun, servo do Senhor, morreu com a idade de cento e dez anos.
9. Sepultaram-no no território de sua possessão, em Tamnat-Heres, na montanha de Efraim, ao norte do monte de Gaas.
10. Toda aquela geração se foi também unir a seus pais, e sucedeu-lhe outra que não conhecia o Senhor, nem o que ele tinha feito em favor de Israel.
11. Os israelitas fizeram então o mal aos olhos do Senhor e serviram os Baal.
12. Abandonaram o Senhor, o Deus de seus pais, que os tinha tirado do Egito, e seguiram outros deuses, os dos povos que habitavam em torno deles; prostraram-se diante deles, excitando assim a cólera do Senhor.
13. Abandonaram o Senhor para servirem Baal e Astarot.
14. A cólera do Senhor inflamou-se contra Israel, e ele entregou-os nas mãos de piratas, que os despojaram, e vendeu-os aos inimigos dos arredores, de sorte que não puderam mais resistir-lhes.
15. Para onde quer que fossem, a mão do Senhor estava contra eles para fazer-lhes mal, como o Senhor lhes tinha dito e jurado, e viram-se em grande aflição.
16. (Entretanto) o Senhor suscitava-lhes juízes que os livraram das mãos dos opressores,
17. mas nem mesmo os seus juízes ouviam e continuavam prostituindo-se a outros deuses, adorando-os. Abandonaram depressa o caminho que tinham seguido seus pais, na obediência aos mandamentos do Senhor, e não os imitaram.
18. Ora, quando o Senhor suscitava juízes, ele estava com o juiz para livrá-los de seus inimigos enquanto vivesse o juiz: o Senhor compadecia-se dos gemidos que soltavam diante de seus inimigos e de seus opressores.
19. Mas, depois que o juiz morria, corrompiam-se e se tornavam ainda piores do que seus pais, seguindo outros deuses, servindo-os e adorando-os; e não renunciavam aos seus crimes e à sua obstinação.
20. Inflamou-se, pois, contra Israel a cólera do Senhor: Visto que este povo violou o meu pacto, dizia ele, a aliança que eu tinha feito com seus pais, e não obedeceram à minha voz,
21. também eu não expulsarei de diante deles nenhuma das nações que Josué deixou ao morrer.
22. Por elas, queria o Senhor provar os israelitas, e ver se eles seguiriam ou não o caminho do Senhor, como o tinham feito seus pais.
23. E o Senhor deixou subsistir todas essas nações que não tinha entregue nas mãos de Josué, e não as quis expulsar logo.

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( Augosto 21, 2008 )

Juízes 3

1. Estas são as nações que o Senhor deixou subsistir para provar por meio delas os israelitas, todos aqueles que não tinham visto as guerras de Canaã,
2. e isso tão-somente para instrução das novas gerações israelitas, a fim de lhes ensinar a combater, ao menos àqueles que não o tinham feito antes.
3. Eram os cinco príncipes dos filisteus, todos os cananeus, os sidônios, os heveus que habitavam os montes do Líbano, desde a montanha de Baal-Hermon até a entrada de Hamat.
4. Essas nações ficaram para provar Israel, e ver se eles obedeceriam aos mandamentos que o Senhor havia prescrito aos seus pais por intermédio de Moisés.
5. Os filhos de Israel habitaram no meio dos cananeus, dos hiteus, dos amorreus, dos ferezeus, dos heveus e dos jebuseus.
6. Tomaram por mulheres suas filhas e eles mesmos deram suas filhas aos filhos deles, e serviram os seus deuses.
7. Os israelitas fizeram o mal aos olhos do Senhor, esqueceram-se do Senhor, seu Deus, e serviram aos baal e às asserá.
8. A ira do Senhor inflamou-se contra Israel, e ele entregou-os nas mãos de Cusã-Rasataim, rei da Mesopotâmia, a quem ficaram sujeitos durante oito anos.
9. Os israelitas clamaram ao Senhor, que lhes suscitou um libertador para salvá-los: Otoniel, filho de Cenez, irmão mais novo de Caleb.
10. O Espírito do Senhor desceu sobre ele: ele julgou Israel e saiu para a guerra. O Senhor entregou-lhe Cusã-Rasataim, rei da Mesopotâmia, e sua mão triunfou sobre ele.
11. A terra teve quarenta anos de descanso, e Otoniel, filho de Cenez, morreu.
12. Os israelitas fizeram de novo o mal aos olhos do Senhor, e o Senhor excitou contra eles Eglon, rei de Moab, porque tinham feito o mal aos seus olhos.
13. Eglon aliou-se aos filhos de Amon e de Amalec, e pôs-se em marcha contra Israel; derrotou-o e apoderou-se da cidade das Palmeiras.
14. E os israelitas estiveram sujeitos a Eglon, rei de Moab, por dezoito anos.
15. Os filhos de Israel clamaram ao Senhor, que lhes suscitou um libertador na pessoa de Aod, o canhoto, filho de Gera, benjaminita. Os filhos de Israel mandaram, por meio dele, um presente a Eglon, rei de Moab.
16. Aod mandou fazer para si uma espada de dois gumes, de um côvado de comprimento, e a levava debaixo de suas vestes, apoiada na coxa direita.
17. Ele veio e ofereceu o presente a Eglon, rei de Moab, que era muito gordo.
18. Terminada a cerimônia, levou os homens que tinham trazido o presente
19. até as estelas próximas de Gálgala. Voltou ao rei e disse-lhe: Senhor, tenho uma palavra a dizer-te. Silêncio, ordenou o rei; e todos os seus familiares se retiraram.
20. Aod entrou; o rei estava assentado, só, no seu quarto de verão. Tenho a dizer-te uma palavra da parte do Senhor, disse Aod. O rei levantou-se do seu trono.
21. E logo tomou Aod com a mão esquerda a espada que trazia na coxa direita e mergulhou-lha no ventre
22. com tanta força que o próprio cabo entrou após a lâmina, e ficou coberto pela muita gordura. E não retirou do ventre sua espada, cuja lâmina saía por detrás.
23. Aod saiu pela galeria, depois de ter fechado bem atrás de si as portas do quarto de cima, deixando-as trancadas.
24. E, tendo ele partido, notaram os servos do rei que as portas estavam fechadas: Sem dúvida, disseram, estará fazendo necessidade, em seu quarto de verão.
25. Mas, depois de esperarem muito tempo, ficaram alarmados, e, vendo que a porta do apartamento não se abria, tomaram a chave, abriram-na e encontraram o seu senhor morto e estendido por terra.
26. Enquanto isso, Aod fugiu para além das estelas, e foi para Seirat.
27. Logo que chegou à montanha de Efraim, tocou a trombeta e os filhos de Israel desceram da montanha com ele.
28. Segui-me, disse-lhes ele, porque o Senhor entregou-vos os moabitas, vossos inimigos. Eles o seguiram e ocuparam os vaus do Jordão, por onde se vai a Moab, de modo a não deixar passar ninguém.
29. Mataram então cerca de dez mil homens, todo o escol e todo o vigor de Moab; ninguém escapou.
30. Naquele dia foi Moab humilhado sob a mão de Israel. E a terra teve um descanso de oitenta anos.
31. Depois de Aod, Samgar, filho de Anat, derrotou seiscentos filisteus com um aguilhão de bois. Samgar também foi um libertador para Israel.

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( Augosto 21, 2008 )

Juízes 4

1. Depois da morte de Aod, os israelitas continuaram a fazer o mal aos olhos do Senhor.
2. Então o Senhor entregou-os nas mãos de Jabin, rei de Canaã, que reinava em Asor. Seu exército era chefiado por Sísara, que habitava em Haroset-Goim.
3. Os filhos de Israel clamaram ao Senhor, porque Jabin tinha novecentos carros de ferro e oprimia-os duramente já fazia vinte anos.
4. Naquela época, a profetisa Débora mulher de Lapidot, era juíza em Israel.
5. Sentava-se sob a palmeira de Débora, entre Ramá e Betel, na montanha de Efraim, e os israelitas iam ter com ela para que julgasse suas questões.
6. Ela mandou chamar Barac, filho de Abinoem, de Cedes em Neftali, e disse-lhe: Eis o que te ordena o Senhor, Deus de Israel: vai ao monte Tabor; toma contigo dez mil homens dos filhos de Neftali e de Zabulon.
7. Quando estiveres na torrente de Cison, conduzir-te-ei Sísara, chefe do exército de Jabin, com seus carros e suas tropas, e to entregarei.
8. Barac respondeu-lhe: Se vieres comigo, irei; mas se não quiseres vir comigo, não irei.
9. Sim, disse ela, irei contigo; mas a glória da expedição não será tua, porque o Senhor entregará Sísara nas mãos de uma mulher. E Débora foi com Barac a Cedes.
10. Barac convocou ali Zabulon e Neftali: dez mil homens levantaram-se e seguiram-no, tendo Débora em sua companhia.
11. Ora, Heber, o cineu, tinha-se separado dos cineus da família de Hobab, cunhado de Moisés, e tinha levantado suas tendas até o carvalhal de Senim, perto de Cedes.
12. Foi anunciado a Sísara que Barac, filho de Abinoem, estava em marcha para o monte Tabor.
13. Mandou então vir de Haroset-Goim todos os seus carros, novecentos carros de ferro, e todo o povo que estava com ele até a torrente de Cison.
14. Débora disse a Barac: Vai-te, porque este é o dia em que o Senhor te entregará Sísara. O Senhor mesmo marcha adiante de ti. Barac desceu do monte Tabor com dez mil homens.
15. E o Senhor desbaratou Sísara com todos os seus carros e todo o seu exército, que caíram ao fio da espada, diante de Barac. Sísara, saltando do seu carro, fugiu a pé,
16. enquanto Barac perseguia os carros e o exército até Haroset-Goim. Todo o exército de Sísara foi passado ao fio da espada, sem escapar um só homem.
17. Sísara, fugindo a pé, chegou à tenda de Jael, mulher de Heber, o cineu, porque havia paz entre Jabin, rei de Asor e a casa de Heber, o cineu.
18. Jael, saindo ao encontro de Sísara, disse-lhe: Entra, meu senhor, em minha casa, e não temas. Ele entrou na tenda e ela o ocultou sob um manto.
19. Ele disse à mulher: Peço-te que me dês um pouco de água, porque tenho sede. Ela abriu um odre de leite, deu-lhe de beber e recobriu-o.
20. Sísara disse-lhe ainda: Põe-te à entrada da tenda, e se qualquer pessoa te perguntar se há alguém aqui, responderás que não.
21. Jael, pois, mulher de Heber, tomou um prego da tenda juntamente com um martelo e, aproximando-se devagarinho, enterrou o prego na fonte de Sísara, pregando-o assim na terra enquanto ele dormia profundamente por causa da muita fadiga. Sísara morreu.
22. Entrementes, chegou Barac logo após Sísara. Jael saindo-lhe ao encontro, disse-lhe: Vem, vou mostrar-te o homem que buscas. Ele entrou e viu Sísara que jazia morto por terra, com o prego cravado em sua fonte.
23. Foi assim que Deus, naquele dia, humilhou Jabin, rei de Canaã, diante dos israelitas;
24. e a mão dos filhos de Israel pesava cada vez mais sobre Jabin, rei de Canaã, até que o exterminaram.

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( Augosto 21, 2008 )

Juízes 5

1. Naquele dia, Débora cantou este cântico, com Barac, filho de Abinoem:
2. Desatou-se a cabeleira em Israel, o povo ofereceu-se para o combate: bendizei o Senhor!
3. Reis, ouvi! Estai atentos, ó príncipes! Sou eu, eu que vou cantar ao Senhor. Vou proferir um salmo ao Senhor, Deus de Israel!
4. Senhor, quando saístes de Seir, quando surgistes dos campos de Edom, a terra tremeu, os céus se entornaram, as nuvens desfizeram-se em água,
5. abalaram-se as montanhas diante do Senhor, nada menos que o Sinai, diante do Senhor, Deus de Israel!
6. Nos dias de Samgar, filho de Anat, nos dias de Jael, estavam desertos os caminhos, e os viajantes seguiam veredas tortuosas.
7. Desertos se achavam os campos em Israel, desertos, senão quando eu, Débora, me levantei, me levantei como uma mãe em Israel.
8. Israel escolhera deuses novos, e logo a guerra lhe bateu às portas, e não havia um escudo nem uma lança entre os quarenta mil de Israel.
9. Meu coração bate pelos chefes de Israel, pelos que se ofereceram voluntariamente entre o povo: bendizei o Senhor!
10. Vós que cavalgais jumentas brancas, sentados sobre tapetes, a galopar pelas estradas, cantai!
11. A voz dos arqueiros, junto dos bebedouros, celebre as vitórias do Senhor, as vitórias dos seus chefes em Israel! Então o povo do Senhor desceu às portas.
12. Desperta, desperta, Débora! Desperta, desperta, canta um hino! Levanta-te, Barac! Toma os teus prisioneiros, filho de Abinoem!
13. E agora descei, sobreviventes do meu povo. Senhor, descei para junto de mim entre estes heróis.
14. De Efraim vêm os habitantes de Amalec; seguindo-te, marcha Benjamim com as tropas; de Maquir vêm os príncipes, e de Zabulon os guias com o bastão.
15. Os príncipes de Issacar estão com Débora; Issacar marcha com Barac e segue-lhe as pisadas na planície. Junto aos regatos de Rubem grandes foram as deliberações do coração.
16. Por que ficaste junto ao aprisco, a ouvir a música dos pastores? Junto aos regatos de Rubem grandes foram as deliberações do coração.
17. Galaad ficou em sua casa, além do Jordão; e Dã, por que habita junto dos navios? Aser assentou-se à beira do mar e ficou descansando nos seus portos.
18. Zabulon, porém, é um povo que desafia a morte, e da mesma forma Neftali, sobre os planaltos.
19. Vieram os reis e travaram combate; e travaram combate os reis de Canaã em Tanac, junto às águas de Magedo; mas não levaram espólio em dinheiro.
20. Desde o céu as estrelas combateram, de suas órbitas combateram contra Sísara,
21. e a torrente de Cison os arrastou, a velha torrente, a torrente de Cison. Marcha, ó minha alma, resolutamente!
22. Ouviu-se, então, o troar dos cascos dos cavalos, ao tropel, ao tropel dos cavaleiros.
23. Amaldiçoai Meroz, disse o Anjo do Senhor, amaldiçoai, amaldiçoai seus habitantes! Porque não vieram em socorro do Senhor, em socorro do Senhor, com os guerreiros.
24. Bendita seja entre as mulheres Jael, mulher de Heber, o quenita! Entre as mulheres da tenda seja bendita!
25. Ao que pediu água ofereceu leite; serviu nata em taça nobre.
26. Com uma das mãos segurou o prego, e com a outra o martelo de operário, e malhou Sísara, espedaçando-lhe a cabeça, e esmagou-lhe a fonte e a transpassou.
27. Aos seus pés ele vergou, tombou, ficou; aos seus pés ele vergou, tombou. Onde vergou, ali tombou abatido!
28. Da janela, através das persianas, a mãe de Sísara olha e clama: Por que tarda em chegar o seu carro?! Por que demoram tanto as suas carruagens?!
29. As mais sábias das damas lhe respondem, e ela mesma o repete a si própria:
30. Devem ter achado despojos, e os repartem: uma moça, duas moças para cada homem, despojos de tecidos multicores para Sísara, despojos de tecidos multicores, recamados; uma veste bordada, dois brocados, para os ombros do vencedor.
31. Assim pereçam, Senhor, todos os vossos inimigos! E os que vos amam sejam como o sol quando nasce resplendente.
32. E repousou a terra durante quarenta anos.

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( Augosto 21, 2008 )

Juízes 6

1. Os israelitas fizeram o mal aos olhos do Senhor, e o Senhor entregou-os nas mãos dos madianitas durante sete anos.
2. A mão de Madiã pesou rudemente contra Israel. Por medo dos madianitas, os filhos de Israel refugiaram-se nas cavernas das montanhas, em cavernas e fortificações.
3. Quando Israel semeava, subia Madiã com Amalec e os filhos do oriente para atacá-lo.
4. Acampavam defronte deles e devastavam as suas plantações até a vizinhança de Gaza, e não deixavam aos israelitas provisão alguma, nem ovelhas, nem bois, nem jumentos.
5. Subiam com todos os seus rebanhos e tendas, semelhantes a uma nuvem de gafanhotos, e essa multidão inumerável de homens e camelos subia e devastava a terra.
6. Os israelitas ficaram desse modo extenuados pelos madianitas, e clamaram ao Senhor.
7. E, tendo eles clamado ao Senhor, pedindo socorro contra os madianitas, o Senhor mandou-lhes um profeta,
8. que lhes disse: Eis o oráculo do Senhor, Deus de Israel: eu vos fiz sair do Egito e vos tirei da servidão;
9. livrei-vos da mão dos egípcios e de vossos opressores; expulsei-os de diante de vós e dei-vos a sua terra.
10. E disse-vos: eu sou o Senhor, vosso Deus: não adorareis os deuses dos amorreus, em cuja terra ides habitar. Mas não ouvistes a minha voz.
11. Depois veio o anjo do Senhor e sentou-se debaixo do terebinto de Efra, que pertencia a Joás, da família de Abieser. Gedeão, seu filho, estava limpando o trigo no lagar, para escondê-lo dos madianitas.
12. O anjo do Senhor apareceu-lhe e disse-lhe: O Senhor está contigo, valente guerreiro!
13. Gedeão respondeu: Ah, meu senhor, se o Senhor está conosco, por que nos vieram todos esses males? Onde estão aqueles prodígios que nos contaram nossos pais, dizendo: o Senhor fez-nos verdadeiramente sair do Egito? Agora o Senhor abandonou-nos e entregou-nos nas mãos dos madianitas.
14. Então o Senhor, voltando-se para ele: Vai, disse, com essa força que tens e livra Israel dos madianitas. Porventura não sou eu que te envio?
15. Ó Senhor, respondeu Gedeão, com que livrarei eu Israel? Minha família é a última de Manassés, e eu sou o menor na casa de meu pai.
16. O Senhor replicou: Eu estarei contigo e tu derrotarás os madianitas como se fossem um só homem.
17. Prosseguiu Gedeão: Se encontrei graça aos vossos olhos, provai-me por um sinal que sois vós quem me falais.
18. Não vos afasteis daqui até que eu volte trazendo uma oferta, e a ponha diante de vós. Esperarei, respondeu o Senhor, até que voltes.
19. Gedeão entrou em sua casa, preparou um cabrito e fez pães sem fermento com um efá de farinha. Pôs a carne num cesto e o caldo numa panela, levou tudo debaixo do terebinto e ofereceu-lho.
20. O anjo do Senhor disse-lhe: Toma a carne e os pães sem fermento, põe-nos sobre aquela pedra e derrama por cima o caldo. Ele assim o fez.
21. Então o anjo do Senhor estendeu a ponta da vara que tinha na mão, tocou a carne com os pães sem fermento, e imediatamente jorrou fogo da rocha que consumiu a carne e os pães sem fermento; e o anjo do Senhor desapareceu de seus olhos.
22. Gedeão reconheceu que era o anjo do Senhor e exclamou: Ai de mim, Senhor Javé, que vi o anjo do Senhor face a face.
23. O Senhor disse-lhe: Tranqüiliza-te; não temas, não morrerás.
24. Gedeão edificou ali um altar ao Senhor e chamou-o Javé-Chalom. Esse altar existe ainda hoje em Efra de Abieser.
25. Durante a noite disse-lhe o Senhor: Toma o novilho de teu pai e um segundo touro de sete anos; destrói o altar de Baal de teu pai e faze o mesmo com o ídolo de madeira que está junto dele.
26. Edificarás então um altar ao Senhor, teu Deus, em cima dessa pedra, depois de a teres preparado. Tomarás o segundo touro e o oferecerás em holocausto usando a madeira do ídolo que tiveres cortado.
27. Gedeão escolheu dez dos seus servos e fez o que o Senhor lhe tinha ordenado. Temendo, porém, a família de seu pai e os habitantes da cidade, não o quis fazer durante o dia; executou tudo durante a noite.
28. Chegada a manhã, quando os habitantes da cidade se levantaram, eis que viram o altar de Baal derrubado por terra, o ídolo vizinho cortado, e o segundo touro queimado em holocausto sobre o novo altar.
29. Quem fez isto?, perguntaram uns aos outros. Depois de haverem buscado e investigado cuidadosamente, foi-lhes dito: Foi Gedeão, filho de Joás.
30. Disseram então a Joás: Faze vir aqui o teu filho, para que seja morto, porque ele derrubou o altar de Baal e cortou o ídolo de madeira que estava perto!
31. Joás respondeu a todos os que o interpelavam: Porventura sois vós que deveis tomar o partido de Baal? Sois vós que deveis socorrê-lo? Pois aquele que tomar o partido de Baal será morto hoje mesmo. Se Baal é deus, que defenda ele mesmo a sua causa, pois derrubaram o seu altar!
32. Daquele dia em diante, Gedeão foi chamado Jerobaal, dizendo: Que Baal defenda a sua causa contra ele, pois ele derrubou o seu altar!
33. Todos os madianitas, os amalecitas e os filhos do oriente se tinham coligado e, tendo passado o Jordão, acamparam no vale de Jezrael.
34. O Espírito do Senhor apoderou-se de Gedeão, o qual, tocando a trombeta, convocou os filhos de Abieser para que o seguissem.
35. Enviou mensageiros por toda a tribo de Manassés, que se reuniu para segui-lo; e enviou também mensageiros às tribos de Aser, de Zabulon e de Neftali, e todos vieram juntar-se a ele.
36. Gedeão disse a Deus: Se quereis realmente salvar Israel por meio de minha mão, como o dissestes,
37. eis que vou estender um velo de lã na eira: se o orvalho cair só no velo, ficando toda a terra seca, reconhecerei que é por minha mão que livrareis Israel, como o dissestes.
38. E assim aconteceu. Levantando-se Gedeão no dia seguinte pela manhã, espremeu a lã e encheu um copo de orvalho.
39. Gedeão disse de novo a Deus: Não se acenda contra mim a vossa cólera se vos falo ainda uma vez! Só quero fazer mais uma prova com o velo: peço que só a lã fique seca, e o orvalho molhe toda a terra em redor.
40. E Deus assim o fez naquela noite: só o velo ficou seco, enquanto todo o solo estava coberto de orvalho.

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( Augosto 21, 2008 )

Juízes 7

1. Jerobaal, isto é, Gedeão, levantando-se no dia seguinte bem cedo, foi acampar na fonte de Harad com todo o povo que o acompanhava. O acampamento madianita encontrava-se ao norte da colina de Moré, na planície.
2. O Senhor disse a Gedeão: A gente que levas contigo é numerosa demais para que eu entregue Madiã em suas mãos. Israel poderia gloriar-se à minha custa, dizendo: foi a minha mão que me livrou.
3. Manda, pois, publicar este aviso para que todos o ouçam: quem for medroso ou tímido, volte para trás e deixe a montanha de Gelboé. Vinte e dois mil homens voltaram, ficando ainda dez mil.
4. O Senhor disse a Gedeão: Ainda há gente demais. Faze-os descer às águas, e ali farei uma escolha. Aquele que eu te disser que irá contigo, este te seguirá; e aquele que eu não te designar, ficará.
5. Gedeão fez, pois, descer o povo junto às águas e o Senhor disse-lhe: Porás à parte todos aqueles que lamberem a água com a língua, como faz o cão, e de outro lado aqueles que se puserem de joelhos para beber.
6. Ora, o número dos que lamberam a água, levando-a com a mão à boca, foi de trezentos homens; todo o resto do povo se pusera de joelhos para beber.
7. O Senhor disse a Gedeão: Com os trezentos homens que lamberam a água, vos salvarei, e entregarei Madiã nas tuas mãos. Todo o resto do povo volte para a sua casa.
8. Gedeão guardou os víveres do povo e suas trombetas, e despediu todos os israelitas, cada um para a sua tenda, só conservando os trezentos homens. O acampamento madianita estava embaixo, na planície.
9. Durante a noite seguinte, o Senhor disse a Gedeão: Levanta-te e ataca o acampamento, porque to entregarei.
10. Todavia, se tens medo de descer só, leva contigo Fara, teu servo.
11. Ouvirás o que eles dizem, e sentir-te-ás assim encorajado para atacar o acampamento. Gedeão desceu, pois, com Fara, seu servo, até onde estavam os postos avançados do acampamento.
12. Ora, os madianitas, os amalecitas e todos os filhos do oriente estavam espalhados pelo vale, tão numerosos como gafanhotos, e seus camelos eram também inumeráveis como a areia das praias.
13. No momento em que Gedeão se aproximou, um homem estava justamente contando um sonho ao seu companheiro: Eis, dizia ele, o sonho que tive: um pão de cevada rolava sobre o acampamento de Madiã e, chocando-se com a tenda, lançou-a completamente por terra. O companheiro respondeu:
14. Isso não é outra coisa senão a espada de Gedeão, filho de Joás, o israelita. Deus entregou em suas mãos Madiã e todo o acampamento.
15. Tendo ouvido a narração e a interpretação desse sonho, Gedeão prostrou-se por terra. Voltou ao acampamento israelita e disse: Levantai-vos, porque o Senhor vos entregou nas mãos o acampamento dos madianitas!
16. Dividiu os trezentos homens em três grupos, e pôs nas mãos de todos trombetas e ânforas vazias, levando estas dentro uma tocha acesa.
17. Olhai para mim, disse ele, e fazei como eu. Quando eu chegar aos limites do acampamento, fazei o que eu fizer.
18. Tocarei a trombeta com aqueles que me acompanham, e então tocareis também as vossas em volta de todo o acampamento, gritando: Pelo Senhor e por Gedeão!
19. Gedeão com seus cem homens chegou aos limites do acampamento no princípio da segunda vigília, quando se rendiam as sentinelas, e começaram a tocar as trombetas, quebrando ao mesmo tempo as ânforas que tinham na mão.
20. Então os três batalhões tocaram (também) as trombetas e quebraram as ânforas. Tomando as tochas na mão esquerda e as trombetas na direita para tocar, gritaram: À espada pelo Senhor e por Gedeão!
21. Cada um ficou em seu lugar, ao redor do acampamento; todo o acampamento se pôs a correr e fugiram, gritando.
22. Os trezentos homens continuavam a tocar as trombetas, enquanto, por todo o acampamento, o Senhor fez com que os madianitas voltassem a espada uns contra os outros, e o exército fugiu até Bet-Seta, para os lados de Sarera, e até os limites de Abel-Mehula, junto de Tebat.
23. Juntaram-se então aos israelitas as tribos de Neftali e de Aser e todo o Manassés, e perseguiram os madianitas.
24. Gedeão enviou mensageiros por todo o monte de Efraim, para dizer: Descei ao encontro dos madianitas e cortai-lhes a passagem das águas até Betbera, e até os vaus do Jordão. Juntaram-se, pois, os homens de Efraim e ocuparam as passagens até Betbera, e igualmente os vaus do Jordão.
25. Tendo capturado dois chefes madianitas, Oreb e Zeb, mataram Oreb no rochedo de Oreb, e Zeb no lagar de Zeb. E continuaram a perseguir os madianitas, levando as cabeças de Oreb e de Zeb a Gedeão, no outro lado do Jordão.

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( Augosto 21, 2008 )

Juízes 8

1. Os homens de Efraim disseram a Gedeão: Por que nos trataste assim, não nos chamando a pelejar contigo contra Madiã? E houve entre eles uma violenta discussão.
2. Gedeão respondeu-lhes: Que fiz eu, ao lado do que vós fizestes? Porventura não valem mais os cachos de Efraim que as vindimas de Abieser?
3. Foi nas vossas mãos que o Senhor entregou os príncipes de Madiã, Oreb e Zeb. Que pude eu, pois, fazer em comparação do que vós fizestes? E com estas palavras aquietaram-se.
4. Gedeão chegou ao Jordão e passou-o com seus trezentos homens, continuando a perseguir o inimigo, apesar de sua fadiga.
5. Chegando a Socot, disse aos seus moradores: Dai, peço-vos, pão aos homens que me acompanham, porque estão muito cansados; estou perseguindo Zebéia e Salmana, reis de Madiã.
6. Os chefes de Socot responderam-lhe: Tens já talvez em teu poder o punho de Zebéia e de Salmana para que possamos dar pão à tua tropa?
7. Pois bem, replicou Gedeão, quando o Senhor me houver entregue nas mãos Zebéia e Salmana, eu vos rasgarei a pele com espinhos e abrolhos do deserto!
8. Dali subiu a Fanuel, onde fez o mesmo pedido, mas obteve a mesma resposta que em Socot.
9. Gedeão disse-lhes: Quando eu voltar vitorioso, destruirei esta torre.
10. Zebéia e Salmana estavam então em Carcor com o seu forte exército, cerca de quinze mil homens, que eram o restante de todo o exército dos filhos do oriente, pois haviam já perecido cento e vinte mil combatentes que manejavam a espada.
11. Gedeão subiu pelo caminho dos nômades, a oriente de Nobe e de Jegba, e feriu o acampamento dos inimigos que se julgavam perfeitamente seguros.
12. Zebéia e Salmana, reis de Madiã, fugiram, mas foram perseguidos e presos por Gedeão, depois de ter derrotado toda a sua guarnição.
13. Gedeão, filho de Joás, voltou da batalha pela subida de Hares.
14. Deteve um jovem entre os habitantes de Socot e fez-lhe perguntas. Este escreveu-lhe uma lista com setenta e sete nomes dos chefes de Socot e dos anciãos.
15. Gedeão veio ter com os habitantes de Socot e disse-lhes: Eis aqui Zebéia e Salmana a respeito dos quais me insultastes, dizendo: tens já talvez em teu poder o punho de Zebéia e de Salmana, para que possamos dar pão aos teus homens fatigados?
16. Tomou então os anciãos da cidade e açoitou-os com espinhos e abrolhos do deserto.
17. Destruiu também a torre de Fanuel e matou os habitantes da cidade.
18. E disse a Zebéia e a Salmana: Como eram aqueles homens que matastes no Tabor? Eram, responderam-lhe, semelhantes a ti; cada um deles parecia um filho de rei
19. Eram meus irmãos, filhos de minha mãe! Juro pelo Senhor, se os tivésseis deixado com vida, eu não vos mataria.
20. E disse a Jeter, seu filho primogênito: Levanta-te e mata-os! Mas o jovem não ousou tirar a espada, porque, sendo ainda muito novo, tinha medo.
21. Vem tu mesmo, disseram-lhe Zebéia e Salmana, e mata-nos; porque, tal o homem, tal a sua força. Gedeão matou Zebéia e Salmana, e tomou os colares que os camelos traziam ao pescoço.
22. Os israelitas disseram a Gedeão: Sê o nosso rei, tu e teu filho, e o filho de teu filho, porque tu nos livraste das mãos dos madianitas.
23. Não, respondeu ele, não reinarei sobre vós, nem meu filho tampouco; é o Senhor quem será o vosso rei.
24. E ajuntou: Tenho um pedido a vos fazer: que cada um de vós me dê as argolas de vosso despojo. Os inimigos, que eram os ismaelitas, usavam argolas de ouro.
25. Eles responderam: Nós tas daremos de muito boa vontade. E, estendendo no chão um manto, lançaram nele as argolas de sua presa.
26. O peso das argolas de ouro que ele tinha pedido era de mil e setecentos siclos de ouro, sem contar os colares, brincos e ornamentos de púrpura que costumavam usar os reis de Madiã, afora ainda os colares que traziam seus camelos no pescoço.
27. Gedeão fez de tudo isso um efod e o expôs em sua cidade de Efra. Mas todos os israelitas se prostituíram ante esse efod que se tornou, assim, um laço para Gedeão e sua casa.
28. Os madianitas foram humilhados diante dos israelitas e não puderam mais levantar a cabeça, de sorte que a terra pôde gozar um repouso de quarenta anos no tempo de Gedeão.
29. Jerobaal, filho de Joás, retirou-se e foi habitar em sua casa.
30. Teve setenta filhos, saídos todos dele, porque tinha numerosas mulheres.
31. Sua concubina, que estava em Siquém, deu-lhe também um filho, que foi chamado Abimelec.
32. Morreu Gedeão, filho de Joás, numa ditosa velhice, e foi sepultado no túmulo de Joás, seu pai, em Efra de Abieser.
33. Depois de sua morte, os filhos de Israel prostituíram-se de novo com os baal, e tomaram Baal-Berit por seu deus.
34. Não se lembraram os israelitas do Senhor, seu Deus, que os tinha livrado das mãos de todos os inimigos que os cercavam,
35. nem testemunharam gratidão alguma pela casa de Jerobaal-Gedeão por todos os benefícios que ele tinha feito a Israel.

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( Augosto 21, 2008 )

Juízes 9

1. Abimelec, filho de Jerobaal, foi ter com os irmãos de sua mãe em Siquém, e disse-lhes, assim como a toda a família de sua mãe:
2. Dizei, vo-lo peço, a todos os habitantes de Siquém: o que é melhor para vós: serdes dominados por setenta homens, todos filhos de Jerobaal, ou que um só homem seja vosso rei? Lembrai-vos de que eu sou de vosso sangue e de vossa carne.
3. Os irmãos de sua mãe falaram dele aos habitantes de Siquém, referindo-lhes suas palavras, e inclinaram o seu coração para Abimelec, porque, diziam eles, é nosso irmão.
4. E deram-lhe setenta siclos de prata tomados do templo de Baal-Berit, com os quais assalariou homens miseráveis e aventureiros, que o seguiram.
5. Foi à casa de seu pai em Efra, e matou sobre uma pedra os seus irmãos, filhos de Jerobaal, setenta homens; escapou somente Joatão, filho mais novo de Jerobaal, porque se tinha escondido.
6. Juntaram-se então todos os siquemitas com todos os de Bet-Melo, e vieram junto do terebinto da estela que havia em Siquém, onde proclamaram rei Abimelec.
7. Sabendo disso, subiu Joatão ao cimo do monte Garizim e exclamou: Ouvi-me, homens de Siquém, para que Deus vos ouça!
8. As árvores resolveram um dia eleger um rei para governá-las e disseram à oliveira: reina sobre nós!
9. Mas ela respondeu: renunciarei, porventura, ao meu óleo que constitui minha glória aos olhos de Deus e dos homens, para colocar-me acima das outras árvores?
10. E as árvores disseram à figueira: vem tu, e reina sobre nós!
11. Mas a figueira disse-lhes: poderia eu, porventura, renunciar à doçura de meu delicioso fruto, para colocar-me acima das outras árvores?
12. E as árvores disseram à videira: vem tu, reina sobre nós!
13. Mas a videira respondeu: poderia eu renunciar ao meu vinho que faz a alegria de Deus e dos homens, para colocar-me acima das outras árvores?
14. E todas as árvores disseram ao espinheiro: vem tu, reina sobre nós!
15. E o espinheiro respondeu: se realmente me quereis escolher para reinar sobre vós, vinde e abrigai-vos debaixo de minha sombra; mas, se não o quereis, saia fogo do espinheiro e devore os cedros do Líbano!
16. Agora, pois, se com lealdade e boa-fé escolhestes Abimelec para vosso rei, se vos portastes bem com Jerobaal e sua casa, correspondendo aos benefícios que ele vos fez
17. porque meu pai combateu por vós e livrou-vos dos madianitas arriscando a própria vida;
18. vós, que agora vos levantastes contra a casa de meu pai, matastes todos os seus setenta filhos sobre uma pedra, e proclamastes rei dos habitantes de Siquém Abimelec, filho de sua escrava, sob o pretexto de que ele é vosso irmão,
19. se, pois, com lealdade e boa-fé, procedestes bem com Jerobaal e sua casa, então que Abimelec vos faça felizes, e que vós o façais feliz igualmente!
20. Do contrário, saia fogo de Abimelec, e devore os homens de Siquém com os de Bet-Melo; e saia fogo dos habitantes de Siquém e de Bet-Melo, e devore Abimelec!
21. Fugiu em seguida Joatão para Bera, onde habitou, longe de Abimelec, seu irmão.
22. Reinou Abimelec sobre Israel durante três anos.
23. E Deus suscitou um mau espírito entre ele e os habitantes de Siquém, que os fez se revoltarem.
24. Isso aconteceu para que fosse vingado o homicídio dos setenta filhos de Jerobaal, e seu sangue caísse sobre Abimelec, seu irmão, que os havia matado, e sobre os siquemitas que tinham sido seus cúmplices.
25. Os homens de Siquém armaram contra ele emboscadas no alto dos montes, e puseram-se a despojar todos aqueles que passavam por ali; e Abimelec foi informado disso.
26. Gaal, filho de Obed, foi com seus irmãos a Siquém e ganhou a confiança dos homens do lugar.
27. Saíram pelos campos, vindimaram as vinhas, pisaram as uvas, celebraram a festa. Foram ao templo do seu deus e ali fizeram um festim, amaldiçoando Abimelec.
28. Gaal, filho de Obed, disse: Quem é Abimelec, e o que é Siquém, para que lhe estejamos sujeitos? Não é ele filho de Jerobaal, e não é Zebul o seu lugar-tenente? Servi a família de Emor, pai de Siquém. Por que razão serviremos Abimelec?
29. Oxalá tivesse eu poder sobre esse povo! Eu arrasaria Abimelec e lhe diria: junta o teu exército, e vem!
30. Zebul, governador da cidade, sabendo o que dissera Gaal, filho de Obed, encolerizou-se,
31. e mandou secretamente dizer a Abimelec: Gaal, filho de Obed, veio a Siquém com seus irmãos, e anda sublevando a cidade contra ti.
32. Levanta-te de noite, tu e tua tropa, e põe-te de emboscada no campo;
33. amanhã cedo, ao nascer do sol, lança-te sobre a cidade; quando Gaal e sua tropa saírem contra ti, far-lhe-ás o que as circunstâncias te permitirem.
34. Abimelec, pois, partiu durante a noite com toda a sua gente, e pôs emboscadas em quatro grupos junto de Siquém.
35. Entretanto Gaal, filho de Obed, saiu e instalou-se diante das portas da cidade. Então Abimelec com todos os seus deixou a emboscada.
36. Vendo aquela tropa, Gaal disse a Zebul: Eis uma multidão que desce das colinas. Tu vês, respondeu Zebul, as sombras das colinas como se fossem homens.
37. Gaal replicou: Está descendo uma tropa do alto; e eis uma outra que vem pelo caminho do carvalho dos Adivinhos.
38. Zebul disse-lhe então: Onde está agora a tua arrogância, tu que dizias: quem é Abimelec para que nós o sirvamos? Eis o povo que tu desprezavas! Vai, agora, e combate contra ele!
39. Saiu Gaal à frente dos siquemitas e combateu contra Abimelec.
40. Mas foi derrotado por Abimelec e fugiu; muitos homens, que estavam mortalmente feridos, caíram antes de terem atingido o limiar da porta.
41. Abimelec deteve-se em Ruma; Zebul, porém, lançou Gaal e seus irmãos fora de Siquém.
42. No dia seguinte, o povo saiu ao campo. Tendo sabido disso, Abimelec
43. tomou sua tropa, dividiu-a em três grupos e os pôs de emboscada no campo. Ao ver que o povo saía da cidade, atacou-o e derrotou-o,
44. vindo em seguida com o seu grupo tomar posição à entrada da cidade, enquanto os dois outros grupos perseguiam os que estavam no campo e os massacravam.
45. Abimelec combateu a cidade durante todo aquele dia e tomou-a. Matou toda a população, arrasou a cidade e semeou-a de sal.
46. Ao ouvirem isso, todos os habitantes da torre de Siquém retiraram-se para a fortaleza do templo de El-Berit.
47. E foi noticiado a Abimelec que todos os habitantes da torre de Siquém se tinham retirado para esse lugar;
48. subiu então Abimelec com sua tropa ao monte Selmon, tomou um machado e cortou um galho de árvore. Pondo-o aos ombros, disse à sua gente: Vistes o que eu fiz? Apressai-vos a fazer o mesmo.
49. Cortou cada um deles um galho e todos seguiram Abimelec; puseram esses galhos contra a fortaleza e meteram-lhes fogo, sendo a fortaleza, com todos os seus ocupantes, devorada pelas chamas. Desse modo pereceram todos os que habitavam na torre de Siquém, cerca de mil pessoas, tanto homens como mulheres.
50. Depois disso, Abimelec marchou contra Tebes, que sitiou e tomou de assalto.
51. Havia no meio da cidade uma torre forte, na qual se tinham refugiado todos os habitantes, homens e mulheres. Fechando bem a porta, subiram ao terraço da torre.
52. Abimelec, chegando ao pé da torre, aproximou-se da porta para lhe pôr fogo.
53. Então uma mulher, lançando de cima uma pedra de moinho, feriu-lhe a cabeça, fraturando-lhe o crânio.
54. Chamou imediatamente seu escudeiro e disse-lhe: Tira a tua espada e acaba de matar-me, para que se não diga que fui morto por uma mulher! Seu escudeiro o feriu, e Abimelec morreu.
55. Morto Abimelec, todos os israelitas voltaram para suas casas.
56. Assim Deus fez recair sobre Abimelec o mal que tinha feito a seu pai, matando seus setenta irmãos.
57. E do mesmo modo Deus fez recair sobre os siquemitas os seus crimes. Assim se cumpriu sobre ele a maldição de Joatão, filho de Jerobaal.

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Juízes 10

1. Depois de Abimelec, Tola, filho de Fua, filho de Dodo, de Issacar, levantou-se para livrar Israel. Habitava em Samir, na montanha de Efraim,
2. e foi juiz em Israel durante vinte e três anos. Depois disso morreu e foi sepultado em Samir.
3. A este sucedeu Jair, de Galaad, que foi juiz em Israel durante vinte e dois anos.
4. Tinha trinta filhos que montavam em trinta jumentinhos, e possuíam trinta cidades que se chamam ainda hoje Havot-Jair, situadas em Galaad.
5. Jair morreu e foi sepultado em Camon.
6. Os filhos de Israel fizeram de novo o mal aos olhos do Senhor, servindo os baal e os astarot, os deuses da Síria, de Sidon, de Moab, os deuses dos amonitas e dos filisteus; e abandonaram o culto do Senhor.
7. A cólera do Senhor inflamou-se contra Israel, e ele entregou-os nas mãos dos filisteus e dos amonitas.
8. Estes últimos oprimiram e esmagaram os israelitas naquele ano; e a opressão estendeu-se por dezoito anos sobre os israelitas de além do Jordão, na terra dos amorreus, em Galaad.
9. Os amonitas, tendo passado o Jordão, combateram contra Judá, Benjamim e a tribo de Efraim, e Israel viu-se numa extrema aflição.
10. Os israelitas clamaram ao Senhor, dizendo: Pecamos contra vós, abandonando o nosso Deus e servindo aos Baal.
11. O Senhor respondeu-lhes: Porventura não vos tenho eu livrado dos egípcios, dos amorreus, dos amonitas, dos filisteus?
12. E quando os sidônios, os amalecitas e Maon vos oprimiam e vós clamastes a mim, não vos libertei?
13. Vós, porém, me abandonastes de novo para servir a outros deuses; por isso não mais vos livrarei.
14. Ide e invocai os deuses que escolhestes; eles que vos livrem de vossa angústia!
15. Os israelitas disseram ao Senhor: Pecamos; tratai-nos como melhor vos parecer. Somente, livrai-nos hoje.
16. Tiraram então do meio deles os deuses estranhos e serviram ao Senhor, que se compadeceu dos males de Israel.
17. Os amonitas juntaram-se e acamparam em Galaad, enquanto os israelitas faziam o mesmo em Masfa.
18. O povo e os chefes de Galaad diziam uns para os outros: Quem começará a pelejar contra os amonitas? Esse será o chefe de todo o povo de Galaad.

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