2 Reis 11
1. Quando Atalia, mãe de Ocozias, viu morto o seu filho, decidiu exterminar toda a descendência real.
2. Josebá, porém, filha do rei Jorão e irmã de Ocozias, tomou Joás, filho de Ocozias, e fê-lo escapar do massacre dos filhos do rei, escondendo-o com sua ama de leite no quarto de dormir. Esconderam-no assim, de Atalia, de maneira que pôde escapar à morte.
3. Ele esteve seis anos oculto com Josebá no templo do Senhor, enquanto Atalia reinava sobre a terra.
4. No sétimo ano, Jojada convocou junto de si, no templo do Senhor, os centuriões dos cários e dos cursores. Fez com eles um pacto, e, depois de tê-los feito jurar no templo do Senhor, mostrou-lhes o filho do rei.
5. Eis o que haveis de fazer, ordenou-lhes ele: um terço dentre vós fará o serviço do sábado, montando guarda ao palácio real; um terço guardará a porta de Sur;
6. e um terço a porta que está por detrás dos guardas. Vigiai o palácio, de modo que ninguém possa entrar.
7. As duas companhias que terminarem sua semana, farão a guarda do templo do Senhor, junto do rei.
8. Estareis, de mãos armadas, à volta do rei, de maneira que, se alguém entrar em vossas fileiras, seja morto. Estareis sempre com o rei, onde quer que ele for.
9. Os centuriões executaram fielmente as ordens do sacerdote Jojada. Tomando cada um os seus homens, tanto os que começavam o serviço no sábado, como os que o terminavam, foram ter com o sacerdote Jojada.
10. Jojada deu-lhes as lanças e os escudos do rei Davi, que se encontravam no templo do Senhor.
11. Os guardas postaram-se, de mãos armadas, ao longo do altar e do templo, desde a extremidade sul até a extremidade norte do templo, à volta do rei.
12. Então Jojada fez sair o menino-rei, pôs-lhe a coroa na cabeça e entregou-lhe a Lei. Proclamaram-no rei, ungiram-no e todos o aplaudiram, gritando: Viva o rei!
13. Ouvindo Atalia o clamor que faziam os guardas e o povo, entrou no templo do Senhor, pelo meio da multidão.
14. E eis que espetáculo se ofereceu aos seus olhos: lá estava o rei, de pé no estrado, segundo o costume, tendo ao seu lado os chefes e as trombetas, enquanto o povo se alegrava, tocando as trombetas. Então ela rasgou as suas vestes, gritando: Traição, traição!
15. Mas o sacerdote Jojada ordenou aos centuriões que comandavam as tropas: Levai-a para fora, entre vossas fileiras, e se alguém quiser segui-la, feri-o com a espada. Porque o pontífice proibira que a matassem no templo do Senhor.
16. Lançaram-lhe as mãos e, ao chegarem ao palácio real pelo caminho da entrada dos cavalos, mataram-na ali.
17. Jojada fez entre o Senhor, o rei e o povo, uma aliança, segundo a qual o povo devia pertencer ao Senhor. Fez também uma aliança entre o rei e o povo.
18. Todo o povo entrou então no templo de Baal e o devastou; destruíram os altares, as imagens, e mataram o sacerdote de Baal, Matã, diante dos altares. O pontífice Jojada pôs guardas no templo do Senhor.
19. Tomou consigo os centuriões, os caritas, os guardas e todo o povo, e, levando o rei do templo do Senhor, entraram no palácio real pela porta das guardas, e Joás sentou-se no trono dos reis.
20. Todo o povo da terra se alegrou, e a cidade ficou em paz. No palácio real, porém, Atalia era passada ao fio da espada.
2 Reis 12
1. Joás tinha sete anos quando subiu ao trono. Começou a reinar no sétimo ano de Jeú e reinou durante quarenta anos em Jerusalém. Sua mãe chamava-se Sébia, e era natural de Bersabéia.
2. Joás fez o que era bom aos olhos do Senhor, durante todo o tempo em que esteve sob a direção do sacerdote Jojada.
3. Todavia, não destruiu os lugares altos, e ali o povo continuava sacrificando e queimando incenso.
4. Joás disse aos sacerdotes: Todo o dinheiro consagrado, que for trazido ao templo do Senhor, assim como o dinheiro que for entregue por todo israelita recenseado, e o que provir do resgate das pessoas, após avaliação, como também os dons espontâneos oferecidos ao templo do Senhor,
5. recebam-no os sacerdotes, cada um receba-o dos seus clientes, e empreguem-no na reparação do edifício, onde quer que se encontre qualquer estrago.
6. Ora, no vigésimo terceiro ano do reinado de Joás, os sacerdotes não tinham ainda feito restauração alguma no templo.
7. O rei chamou o sacerdote Jojada e os outros sacerdotes, e disse-lhes: Por que não fazeis vós a reparação do templo? Doravante não recebereis mais o dinheiro de vossos clientes, mas o entregareis para os reparos do templo.
8. Os sacerdotes consentiram em não mais receber o dinheiro do povo, e declinaram do cargo das reparações do edifício.
9. O sacerdote Jojada tomou um cofre, fez-lhe um buraco na tampa e colocou-o junto do altar, à direita da entrada do templo do Senhor. Os sacerdotes que guardavam a entrada do templo ali depositavam todo o dinheiro que era levado ao templo do Senhor.
10. Quando viam que havia muito dinheiro no cofre, vinha um escriba do rei com o sumo sacerdote, que recolhia e contava todo o dinheiro que se encontrava no templo do Senhor.
11. E uma vez pesado o dinheiro, era o mesmo entregue nas mãos dos que presidiam as obras do templo do Senhor. Estes empregavam-no pagando os carpinteiros e operários que trabalhavam nas reparações,
12. os pedreiros e canteiros, comprando a madeira e as pedras de cantaria necessárias às reparações, e cobrindo todas as despesas decorrentes dos trabalhos.
13. Não se faziam, porém, com esse dinheiro que era trazido ao templo do Senhor, taças, nem facas, nem bacias, nem trombetas, nem utensílio algum de ouro ou de prata;
14. mas era dado aos empreiteiros, que o empregavam nas reparações do templo do Senhor.
15. Não se pediam contas àqueles que recebiam o dinheiro destinado à paga dos operários, porque eram homens honestos.
16. Quanto ao dinheiro dos sacrifícios pelos delitos ou pelos pecados, não era levado à casa do Senhor, mas era dos sacerdotes.
17. Naquele tempo, Hazael, rei da Síria, sitiou Get e apoderou-se dela. Depois foi atacar Jerusalém.
18. Joás, porém, rei de Judá, tomando os objetos sagrados oferecidos pelos seus pais, Josafá, Jorão e Ocozias, reis de Judá, e os que ele mesmo tinha oferecido, assim como todo o ouro que se achava nas reservas do templo do Senhor e do palácio real, mandou tudo isso a Hazael, rei da Síria, o qual desistiu de sua campanha contra Jerusalém.
19. O resto da história de Joás, seus atos e seus grandes feitos, tudo se acha consignado no livro das Crônicas dos reis de Judá.
20. Seus servos levantaram-se, fizeram uma conspiração e assassinaram o rei em Bet-Milo, no declive de Sela.
21. Josacar, filho de Semaat, e Josabad, filho de Somer, seus criados, feriram-no, e ele morreu. Joás foi sepultado com seus pais na cidade de Davi. Seu filho Amasias sucedeu-lhe no trono.
2 Reis 13
1. No vigésimo terceiro ano do reinado de Joás, filho de Ocozias, rei de Judá, Joacaz, filho de Jeú, tornou-se rei de Israel em Samaria. Seu reinado durou dezessete anos.
2. Fez o mal aos olhos do Senhor, imitando os pecados de Jeroboão, filho de Nabat, que fizera pecar Israel; e não se desviou deles.
3. Por isso a cólera do Senhor acendeu-se contra Israel, e ele entregou-o nas mãos de Hazael, rei da Síria, e de Ben-Hadad, filho de Hazael, durante todo esse período.
4. Mas Joacaz rogou ao Senhor; e o Senhor, vendo como os filhos de Israel eram oprimidos pelo rei da Síria, ouviu-o,
5. e mandou aos israelitas um libertador. Libertados do poder do rei da Síria, puderam de novo habitar nas suas tendas.
6. Entretanto, não se apartaram dos pecados aos quais a casa de Jeroboão arrastara Israel, mas continuaram a cometê-los. E até mesmo o ídolo de asserá ficou de pé em Samaria.
7. Com efeito, o Senhor só deixou a Joacaz, como exército, cinqüenta cavaleiros, dez carros e dez mil soldados de infantaria; o rei da Síria lhe tinha aniquilado o resto e reduzido ao estado de pó, que se calça aos pés.
8. O resto da história de Joacaz, seus atos e grandes feitos, tudo está consignado no livro das Crônicas dos reis de Israel.
9. Joacaz adormeceu com seus pais e foi sepultado em Samaria. Joás, seu filho, sucedeu-lhe no trono.
10. No trigésimo sétimo ano do reinado de Joás, rei de Judá, Joás, filho de Joacaz, tornou-se rei de Israel em Samaria. Seu reino durou dezesseis anos.
11. Fez o mal aos olhos do Senhor, e não se afastou dos pecados de Jeroboão, filho de Nabat, que fizera pecar Israel, mas continuou a cometê-los.
12. O resto da história de Joás, seus atos e grandes feitos, a guerra que ele fez a Amasias, rei de Judá, tudo se acha consignado no livro das Crônicas dos reis de Israel.
13. Joás adormeceu com seus pais e Jeroboão sucedeu-lhe no trono. Joás foi sepultado em Samaria com os reis de Israel.
14. Eliseu fora atingido pela enfermidade de que devia morrer. Joás, rei de Israel, desceu para visitá-lo. (Inclinado) sobre o rosto do profeta, disse-lhe, chorando: Meu pai! Meu pai! Carro e cavalaria de Israel!
15. Eliseu disse-lhe: Traze-me um arco e flechas. Joás trouxe-lhe um arco e flechas.
16. Põe a tua mão no arco. Tendo-o ele feito, Eliseu pôs suas mãos nas do rei,
17. dizendo: Abre a janela do lado do oriente. Joás abriu-a. Lança uma flecha, disse Eliseu. Ele lançou. Flecha de vitória para o Senhor, disse o profeta; flecha de vitória contra os sírios. Baterás os sírios em Afec até exterminá-los.
18. E ajuntou: Toma as flechas. Joás tomou-as. Fere a terra. O rei desfechou três golpes e parou.
19. O homem de Deus encolerizou-se contra ele, e disse: Seria preciso dar cinco ou seis golpes. Terias então batido os sírios até exterminá-los. Agora, porém, só os baterás três vezes!
20. Eliseu morreu e foi sepultado. Guerrilheiros moabitas faziam cada ano incursões na terra.
21. Ora, aconteceu que um grupo de pessoas, estando a enterrar um homem, viu uma turma desses guerrilheiros e jogou o cadáver no túmulo de Eliseu. O morto, ao tocar os ossos de Eliseu, voltou à vida, e pôs-se de pé.
22. Hazael, rei da Síria, tinha oprimido os filhos de Israel durante toda a vida de Joacaz.
23. Mas o Senhor compadeceu-se deles e usou de misericórdia para com eles; e deu-lhes de novo a sua graça, por causa de sua aliança com Abraão, Isaac e Jacó. O Senhor não os quis aniquilar, nem rejeitá-los de sua face.
24. Hazael, rei da Síria, morreu, e seu filho Ben-Hadad sucedeu-lhe no trono.
25. Joás, filho de Joacaz, retomou das mãos de Ben-Hadad, filho de Hazael, as cidades que este havia arrebatado ao seu pai. Joás bateu-o três vezes, e reconquistou as cidades de Israel.
2 Reis 14
1. No segundo ano do reinado de Joás, filho de Joacaz, rei de Israel, Amasias, filho de Joás, rei de Judá, tornou-se rei.
2. Tinha vinte e cinco anos quando começou a reinar, e reinou durante vinte e nove anos em Jerusalém. Sua mãe chamava-se Joadã, e era natural de Jerusalém.
3. Fez o que é bom aos olhos do Senhor; mas não tanto como o seu antepassado Davi. Seguiu todas as pisadas de seu pai Joás.
4. Os lugares altos, porém, não desapareceram, e o povo continuava sacrificando e oferecendo incenso nos mesmos.
5. Logo que se firmou o seu reinado, mandou matar todos os seus servos que tinham assassinado o rei, seu pai.
6. Mas não matou os filhos dos assassinos, conforme está escrito no livro da lei de Moisés, onde o Senhor deu este mandamento: Não morrerão os pais pelos filhos, nem os filhos pelos pais: cada um morrerá pelo seu próprio pecado.
7. Amasias derrotou os edomitas no vale do Sal, matando-lhes dez mil homens. Tomou de assalto a cidade de Sela, e deu-lhe o nome de Jecteel, nome que conserva até o dia de hoje.
8. Amasias mandou mensageiros a Joás, filho de Joacaz, filho de Jeú, rei de Israel, para dizer-lhe: Vem, e nos veremos face a face!
9. Joás, rei de Israel, respondeu a Amasias, rei de Judá: O espinho do Líbano mandou dizer ao cedro do Líbano: Dá a tua filha por mulher ao meu filho. Mas os animais selvagens do Líbano passaram e esmagaram o espinho.
10. Porque bateste os edomitas, o teu coração inchou-se de orgulho. Contenta-te com essa glória e fica em tua casa. Por que queres ir ao encontro do mal, e arriscar perder-te, tu, e Judá contigo?
11. Mas Amasias de nada quis saber. Então o rei de Israel pôs-se a caminho, e encontraram-se ele e Amasias, rei de Judá, em Betsames, cidade de Judá.
12. Judá foi derrotado por Israel e cada um fugiu para a sua tenda.
13. Joás, rei de Israel, capturou em Betsames Amasias, rei de Judá, filho de Joás, filho de Ocozias. Foi a Jerusalém e abriu uma brecha de quatrocentos côvados nos muros da cidade, desde a porta de Efraim até a porta do ângulo.
14. Tomou todo o ouro e prata, e todos os utensílios que se encontravam no templo do Senhor e nas reservas do palácio real, e voltou para Samaria, levando reféns consigo.
15. O resto da história de Joás, seus atos e grandes feitos, a guerra que fez a Amasias, rei de Judá, tudo se acha consignado no livro das Crônicas dos reis de Israel.
16. Joás adormeceu com seus pais e foi sepultado em Samaria com os reis de Israel. Seu filho Jeroboão sucedeu-lhe no trono.
17. Amasias, filho de Joás, rei de Judá, viveu ainda quinze anos depois da morte de Joás, filho de Joacaz, rei de Israel.
18. O resto da história de Amasias está consignado no livro das Crônicas dos reis de Judá.
19. Tendo sido tramada contra ele uma conspiração em Jerusalém, Amasias fugiu para Laquis. Mas perseguiram-no até ali e ele foi morto.
20. Transportaram depois o seu corpo a Jerusalém, em cima de cavalos, e sepultaram-no com seus pais na cidade de Davi.
21. Então todo o povo de Judá tomou Azarias, que tinha a idade de dezesseis anos, e pô-lo como rei em lugar de seu pai Amasias.
22. Ele reconstruiu Elat e restituiu-a ao domínio de Judá, depois que o rei adormecera com seus pais.
23. No décimo quinto ano do reinado de Amasias, filho de Joás, rei de Judá, Jeroboão, filho de Joás, tornou-se rei de Israel, em Samaria.
24. Seu reino durou quarenta e um anos. Fez o mal aos olhos do Senhor, e não se apartou dos pecados de Jeroboão, filho de Nabat, que fizera pecar Israel.
25. Restabeleceu as fronteiras de Israel desde a entrada de Emat até o mar da Planície, conforme tinha o Senhor anunciado pela boca de seu servo Jonas, filho de Amati, que era natural de Get-Hefer.
26. O Senhor vira, com efeito, a amargosíssima aflição de Israel, que a todos tinha consumido, pequenos e grandes, e não havia ninguém para socorrer Israel.
27. O Senhor não tinha ainda resolvido apagar o nome de Israel de sob os céus, e por isso libertou-o pelas mãos de Jeroboão, filho de Joás.
28. O resto da história de Jeroboão, seus atos e façanhas guerreiras, o modo como reconquistou Damasco e Emat de Judá para Israel, tudo isso se acha consignado no livro das Crônicas dos reis de Israel.
29. Jeroboão adormeceu com seus pais, os reis de Israel. Seu filho Zacarias sucedeu-lhe no trono.
2 Reis 15
1. No vigésimo sétimo ano de Jeroboão, rei de Israel, Azarias, filho de Amasias, rei de Judá, tornou-se rei.
2. Tinha dezesseis anos quando começou a reinar, e reinou durante cinqüenta e dois anos em Jerusalém. Sua mãe chamava-se Jequelia, e era natural de Jerusalém.
3. Fez o que era bom aos olhos do Senhor, seguindo fielmente as pisadas de seu pai Amasias.
4. Todavia, os lugares altos não desapareceram. O povo continuava sacrificando e oferecendo perfumes nos mesmos.
5. O Senhor feriu de lepra o rei, e ele ficou leproso até o dia de sua morte, vivendo numa casa afastada. Joatão, filho do rei, administrava o palácio e governava a terra.
6. O resto da história de Azarias, seus atos e grandes feitos, tudo se acha consignado no livro das Crônicas dos reis de Judá.
7. Azarias adormeceu com seus pais e foi sepultado com eles na cidade de Davi. Seu filho, Joatão, sucedeu-lhe no trono.
8. No trigésimo oitavo ano do reinado de Azarias, rei de Judá, Zacarias, filho de Jeroboão, tornou-se rei de Israel em Samaria. Seu reinado durou seis meses.
9. Fez o mal aos olhos do Senhor, como tinham feito seus pais, e não se apartou dos pecados de Jeroboão, filho de Nabat, que fizera pecar Israel.
10. Selum, filho de Jabes, conspirou contra ele e assassinou-o à vista do povo, sucedendo-lhe no trono.
11. O resto da história de Zacarias acha-se consignado no livro das Crônicas dos reis de Israel.
12. Assim se cumpria o que o Senhor dissera a Jeú: Teus descendentes ocuparão o trono de Israel durante quatro gerações. E realmente assim sucedeu.
13. No trigésimo nono ano do reinado de Ozias, rei de Judá, Selum, filho de Jabes, tornou-se rei em Samaria. Seu reinado durou um mês.
14. Manaém, filho de Gadi, subiu de Tersa, foi à Samaria, e assassinou Selum, filho de Jabes, sucedendo-lhe no trono.
15. O resto da história de Selum e a conspiração que tramou, tudo se acha consignado no livro das Crônicas dos reis de Israel.
16. Manaém, que subira de Tersa, devastou Tapsa e seu território, e matou todos os seus habitantes, porque não lhe tinham franqueado as portas; arrasou a cidade e rasgou pelo meio o ventre de todas as mulheres grávidas.
17. No trigésimo nono ano do reinado de Azarias, rei de Judá, Manaém, filho de Gadi, tornou-se rei de Israel em Samaria. Seu reino durou dez anos.
18. Fez o mal aos olhos do Senhor, e não se afastou de nenhum dos pecados de Jeroboão, filho de Nabat, que fizera pecar Israel.
19. Ful, rei da Assíria, veio então contra Israel. Manaém deu-lhe mil talentos de prata para que o ajudasse a consolidar seu poder.
20. Manaém requereu essa contribuição para o rei da Assíria de todos os grandes proprietários de Israel, à razão de cinqüenta siclos de prata por pessoa. Então o rei da Assíria retirou-se sem demora da terra.
21. O resto da história de Manaém, seus atos e grandes feitos, tudo se acha consignado no livro das Crônicas dos reis de Israel.
22. Manaém adormeceu com seus pais, e seu filho, Pecaia, sucedeu-lhe no trono.
23. No qüinquagésimo ano do reinado de Azarias, rei de Judá, Pecaia, filho de Manaém, tornou-se rei de Israel em Samaria. Seu reinado durou dois anos.
24. Fez o mal aos olhos do Senhor, e não se apartou dos pecados de Joroboão, filho de Nabat, que fizera pecar Israel.
25. Pecá, filho de Romelia, um de seus oficiais, conspirou contra ele e assassinou-o em Samaria na torre do palácio real, juntamente com Argob e Arié, tendo com ele cinqüenta galaaditas. Matou-o e ficou reinando em seu lugar.
26. O resto da história de Pecaia, seus atos e grandes feitos, tudo se acha, consignado no livro das Crônicas dos reis de Israel.
27. No qüinquagésimo segundo ano do reinado de Azaria, rei de Judá, Pecá, filho de Romelia, tornou-se rei de Israel em Samaria.
28. Fez o mal aos olhos do Senhor, e não se apartou dos pecados de Jeroboão, filho de Nabat, que fizera pecar Israel.
29. No tempo de Pecá, rei de Israel, Teglat-Falasar, rei da Assíria, veio e apoderou-se de Ajon, tomando também Abel-Bet-Macaa, Janoé, Cedes, Asor, Galaad, Galiléia e toda a terra de Neftali, e deportou todos os seus habitantes para a Assíria.
30. Oséias, filho de Ela, conspirou contra Pecá, filho de Romelia, e assassinou-o, sucedendo-lhe no trono, no vigésimo ano do reinado de Joatão, filho de Ozias.
31. O resto da história de Pecá, seus atos e grandes feitos, tudo se acha consignado no livro das Crônicas dos reis de Israel.
32. No segundo ano do reinado de Pecá, filho de Romelia, rei de Israel, Joatão, filho de Ozias, rei de Judá, tornou-se rei.
33. Tinha vinte e cinco anos quando começou a reinar, e reinou dezesseis anos em Jerusalém. Sua mãe chamava-se Jerusa, filha de Sadoc.
34. Ele fez o que era bom aos olhos do Senhor e seguiu em tudo as pisadas de seu pai Ozias.
35. Todavia, não desapareceram os lugares altos. O povo continuava sacrificando e queimando incenso ali. Joatão edificou a porta superior do templo do Senhor.
36. O resto da história de Joatão, seus atos e grandes feitos, tudo se acha consignado no livro das Crônicas dos reis de Judá.
37. Foi nesse tempo que o Senhor começou a excitar contra Judá o rei da Síria, Rasin, e Pecá, filho de Romelia.
38. Joatão adormeceu com seus pais e foi sepultado com eles na cidade de Davi, seu pai. Seu filho Acaz sucedeu-lhe no trono.
2 Reis 16
1. No ano dezessete do reinado de Pecá, filho de Romelia, Acaz, filho de Joatão, rei de Judá, começou a reinar.
2. Tinha vinte anos quando começou a reinar, e reinou durante dezesseis anos em Jerusalém; não fez o que era bom aos olhos do Senhor, seu Deus, como Davi, seu pai, mas seguiu as pegadas dos reis de Israel.
3. Chegou até a passar seu filho pelo fogo, segundo o abominável costume dos povos que o Senhor tinha expulsado de diante dos filhos de Israel.
4. Oferecia sacrifícios e incenso nos lugares altos, nas colinas e debaixo de toda árvore frondosa.
5. Então Rasin, rei da Síria, e Pecá, filho de Romelia, rei de Israel, subiram e atacaram Jerusalém; cercaram Acaz, mas não o puderam vencer.
6. Por aquele mesmo tempo, Rasin, rei da Síria, restituiu Elat aos edomitas, depois de ter expulsado dela os filhos de Judá, e os edomitas voltaram a Elat, onde estão até o dia de hoje.
7. Acaz tinha enviado delegados a Teglat-Falasar, rei da Assíria para dizer-lhe: Eu sou teu servo e teu filho. Vem e livra-me das mãos do rei da Síria e do rei de Israel, que se coligaram contra mim.
8. Acaz tomou a prata e o ouro que se encontravam no templo do Senhor e nas reservas do palácio real, e mandou-os de presente ao rei da Assíria.
9. Este aquiesceu ao seu pedido: atacou Damasco e apoderou-se dela. Deportou a sua população para Quir e matou Rasin.
10. O rei Acaz foi a Damasco para entrevistar-se com Teglat-Falasar, rei da Assíria. Vendo o altar que se encontrava em Damasco, o rei Acaz mandou ao sacerdote Urias um modelo detalhado do mesmo com todas as suas dimensões.
11. Urias construiu um altar exatamente conforme ao desenho que o rei Acaz lhe enviara de Damasco, e terminou-o antes que o rei voltasse.
12. Quando o rei chegou de Damasco e viu o altar, aproximou-se e subiu a ele.
13. Queimou nele o seu holocausto e sua oblação, derramou libações e espargiu o sangue de seus sacrifícios pacíficos.
14. Quanto ao altar de bronze que estava diante do Senhor, tirou-o de diante do templo, entre o altar novo e o templo, e pô-lo ao norte do novo altar.
15. Depois ordenou ao sacerdote Urias: Queimarás no grande altar o holocausto da manhã e a oblação da tarde, o holocausto do rei e a sua oblação, o holocausto do povo e a sua oblação, e derramarás sobre ele todo o sangue dos holocaustos e dos sacrifícios. Quanto ao altar de bronze, deliberarei eu depois.
16. O sacerdote Urias fez tudo o que lhe ordenara o rei Acaz.
17. Além disso, desmontou o rei Acaz os quadros e os pedestais e tirou de cima as bacias; desceu o mar de bronze de cima dos bois de bronze que o suportavam e pô-lo sobre um suporte de pedra.
18. Tirou também do templo do Senhor, por causa do rei da Assíria, o pórtico do sábado que fora construído no edifício, e a entrada exterior do rei.
19. O resto da história de Acaz, seus atos e grandes feitos, tudo se acha consignado no livro das Crônicas dos reis de Judá.
20. Acaz adormeceu com seus pais e foi sepultado com eles na cidade de Davi. Seu filho Ezequias sucedeu-lhe no trono.
2 Reis 17
1. No décimo segundo ano do reinado de Acaz, rei de Judá,Oséias, filho de Ela, tornou-se rei de Israel em Samaria. Seu reinado durou nove anos.
2. Fez o mal aos olhos do Senhor, mas não tanto como seus predecessores no trono de Israel.
3. Salmanasar, rei da Assíria, atacou-o e Oséias ficou-lhe submisso, pagando-lhe tributo.
4. Mas tendo o rei da Assíria descoberto uma conspiração tramada por Oséias, o qual enviara mensageiros a Sua, rei do Egito, e cessara de pagar o tributo anual ao rei da Assíria, tomou-o e o pôs em grilhões numa prisão.
5. Depois atacou Samaria e assediou-a por três anos.
6. No ano nono do reinado de Oséias, o rei da Assíria apoderou-se de Samaria e deportou os israelitas para a Assíria, estabelecendo-os em Hala, às margens do Habor, rio de Gozan, e nas cidades da Média. Causas da ruína de Israel
7. Assim aconteceu porque os filhos de Israel tinham pecado contra o Senhor, seu Deus, que os tinha tirado do Egito e libertado da opressão do faraó, rei dos egípcios. Eles adoraram outros deuses,
8. adotaram os costumes das nações que o Senhor tinha expulsado diante dos israelitas e seguiram os costumes estabelecidos pelos reis de Israel.
9. Os israelitas ofenderam o Senhor, seu Deus, com ações más, e estabeleceram lugares altos em todas as suas localidades, desde a simples torre de guarda até a cidade fortificada.
10. Erigiram estelas e ídolos Asserás em todos os outeiros e debaixo de toda árvore frondosa.
11. Queimaram incenso nesses lugares altos, como as nações que o Senhor tinha despojado diante deles, e irritaram o Senhor com suas práticas abomináveis,
12. adorando ídolos, embora o Senhor lhes tivesse dito: Não fareis tal coisa.
13. O Senhor tinha advertido Israel e Judá pela boca de seus profetas e videntes: Renunciai às vossas más ações; guardai meus mandamentos e minhas leis; observai toda a lei que prescrevi a vossos pais e que vos transmiti pelos meus servos, os profetas.
14. Mas eles não o quiseram ouvir, e endureceram o seu coração, como o tinham feito seus pais, que se tornaram infiéis ao Senhor, seu Deus.
15. Desprezaram os seus preceitos e a aliança estabelecida com seus pais, não atenderam às advertências que lhes tinha feito, e seguiram as vaidades, tornando-se eles mesmos vaidades; apesar de ter-lhes o Senhor proibido seguir as pisadas dos povos que os cercavam,
16. abandonaram todos os mandamentos do Senhor, seu Deus, fabricaram para si dois bezerros de metal fundido e ídolos Asserás, prostraram-se diante de todo o exército dos céus, prestaram culto a Baal,
17. fizeram passar pelo fogo seus filhos e filhas, entregaram-se à adivinhação, à bruxaria; enfim, abandonaram-se inteiramente a tudo o que desagradava ao Senhor, irritando-o.
18. Por isso, o Senhor ficou profundamente indignado contra os israelitas e lançou-os para longe de sua face. Só a tribo de Judá subsistiu.
19. Mas nem mesmo Judá observou os mandamentos do Senhor, seu Deus, e seguiu os costumes de Israel.
20. O Senhor rejeitou, pois, toda a linhagem de Israel, humilhou-a e a entregou nas mãos dos saqueadores até que fosse completamente banida de sua presença.
21. Israel tinha se separado da casa de Davi e tinha proclamado como seu rei a Jeroboão, filho de Nabat, que desviara o seu povo do culto do Senhor e o fizera cair num grande pecado.
22. Os israelitas andaram em todos os pecados que Jeroboão tinha cometido, e não se afastaram deles,
23. até o dia em que o Senhor os baniu de sua presença, como tinha anunciado pela boca dos profetas, seus servos. Os israelitas foram, pois, deportados para longe de sua terra, para a Assíria, onde ainda estão atualmente.
24. O rei da Assíria mandou vir gente de Babilônia, de Cuta, de Ava, de Emat, de Sefarvaim, e pô-la em lugar dos israelitas nas cidades da Samaria. Estes colonos tomaram posse da Samaria e instalaram-se em suas cidades.
25. Mas como eles não prestavam culto ao Senhor, quando começaram a habitar ali, o Senhor mandou leões contra eles que os devoravam.
26. Foram então avisar o rei da Assíria: Os povos que transferiste para as cidades da Samaria não sabem como honrar o deus daquela terra. Por isso esse deus mandou contra eles leões que os devoram, porque ignoram o culto do deus da terra.
27. O rei da Assíria ordenou o seguinte: Mandai para lá um dos sacerdotes que deportastes, a fim de que ele se estabeleça ali e ensine (ao povo) a maneira de servir o deus da região.
28. Foi, pois, um dos sacerdotes deportados da Samaria e instalou-se em Betel, onde ensinava ao povo como deviam adorar o Senhor.
29. (Apesar disso) cada nação conservou o seu próprio deus, que colocou nos santuários dos lugares altos estabelecidos pelos samaritanos; cada povo colocou os seus deuses no lugar em que habitava.
30. Os babilônios fizeram uma estátua de Socot-Benot; os de Cuta, uma de Nergal; os de Emat, uma de Ásima;
31. os de Ava, uma de Nebaaz e uma de Tartac; os de Sefarvaim queimavam seus filhos em honra de Adramelec e de Anamelec, seus deuses.
32. Adoravam também o Senhor, mas constituíram sacerdotes para os lugares altos, tirados dentre o povo, os quais oficiavam por eles nos santuários dos lugares altos.
33. Desse modo, adoravam o Senhor, e ao mesmo tempo prestavam culto aos seus próprios deuses, segundo o costume das nações de onde tinham sido transportados.
34. Ainda hoje seguem os seus antigos costumes; não temem o Senhor, não observam suas leis, nem suas ordenações, nem a lei e os mandamentos que o Senhor deu aos filhos daquele Jacó, a quem deu o nome de Israel.
35. O Senhor tinha feito com eles uma aliança e lhes tinha dado a seguinte ordem: Não adorareis outros deuses, nem vos prostrareis diante deles; não lhes prestareis culto, e não lhes oferecereis sacrifícios.
36. Mas temei ao Senhor que vos tirou do Egito com o poder de seu braço. A ele temereis, diante dele vos prostrareis e a ele oferecereis os vossos sacrifícios.
37. Obedecereis sempre, e cuidadosamente, os preceitos, os estatutos, a lei e os mandamentos que ele vos deu por escrito. Não adorareis outros deuses.
38. Não vos esquecereis do tratado que fiz convosco: não adorareis outros deuses.
39. Ao Senhor, vosso Deus, temereis, e ele vos livrará das mãos de todos os vossos inimigos.
40. Eles, porém, não obedeceram, e seguiram os seus antigos costumes.
41. Adoraram o Senhor, mas honravam ao mesmo tempo os seus ídolos. Ainda hoje fazem seus filhos e seus netos como fizeram seus pais.
2 Reis 18
1. No terceiro ano do reinado de Oséias, filho de Ela, rei de Israel, Ezequias, filho de Acaz, rei de Judá, começou a reinar.
2. Tinha vinte e cinco anos quando subiu ao trono, e reinou durante vinte e nove anos em Jerusalém. Sua mãe chamava-se Abi, filha de Zacarias.
3. Fez o que é bom aos olhos do Senhor, como Davi, seu pai.
4. Destruiu os lugares altos, quebrou as estelas e cortou os ídolos de pau asserás. Despedaçou a serpente de bronze que Moisés tinha feito, porque os israelitas tinham até então queimado incenso diante dela. (Chamavam-na Nehustã).
5. Ezequias pusera sua confiança no Senhor, Deus de Israel; não houve outro como ele, entre todos os reis de Judá, tanto entre os predecessores como entre seus sucessores.
6. Conservou-se unido ao Senhor, e nunca se desviou dele, e observou todos os mandamentos que o Senhor prescreveu a Moisés.
7. Por isso o Senhor esteve com ele e fê-lo bem sucedido em todos os seus empreendimentos. Ezequias rebelou-se contra o rei da Assíria e livrou-se de sua soberania.
8. Bateu os filisteus até Gaza, devastando o seu território desde as simples torres de guarda, até as cidades fortificadas.
9. No quarto ano do reinado de Ezequias, que correspondia ao sétimo do reinado de Oséias, filho de Ela, rei de Israel, Salmanasar, rei da Assíria, veio e sitiou Samaria.
10. No fim de três anos apoderou-se dela. Samaria foi tomada no sexto ano de Ezequias, que correspondia ao nono ano do reinado de Oséias, rei de Israel.
11. O rei da Assíria deportou os israelitas para a Assíria, e instalou-os em Hala, às margens do Habor, rio de Gozã, e nas cidades da Média.
12. Assim aconteceu porque eles não tinham escutado a voz do Senhor, seu Deus, mas tinham quebrado a sua aliança, recusando-se a ouvir e executar o que ordenara Moisés, servo do Senhor.
13. No décimo quarto ano do reinado de Ezequias, Senaquerib, rei da Assíria, veio e atacou todas as cidades fortes de Judá. tomando-as de assalto.
14. Então Ezequias, rei de Judá, mandou dizer ao rei da Assíria em Laquis: Cometi uma falta. Deixa de me atacar. Eu me submeterei a tudo o que me impuseres. O rei da Assíria impôs a Ezequias, rei de Judá, uma contribuição de trezentos talentos de prata e trinta talentos de ouro.
15. Ezequias entregou todo o dinheiro que se encontrava no templo do Senhor e nas reservas do palácio real.
16. Tirou também o revestimento de ouro que ele mesmo havia posto nas portas do templo do Senhor, e entregou tudo ao rei da Assíria.
17. O rei da Assíria enviou de Laquis contra Ezequias, em Jerusalém, o general do exército, o chefe dos eunucos e o copeiro-mor com um poderoso exército. Chegando a Jerusalém, detiveram-se no alto da costa, junto ao aqueduto do reservatório superior, que se encontra no caminho do campo do Pisoeiro.
18. E mandaram chamar ali o rei. Eliacim, filho de Helcias, prefeito do palácio, foi ter com eles, levando consigo o escriba Sobna e o cronista Joaé, filho de Asaf.
19. O copeiro-mor disse-lhe: Isto direis a Ezequias: Assim fala o grande rei, o rei da Assíria: De onde te vem tanta confiança?
20. Só dizes palavras vãs; o que se precisa na guerra é de prudência e bravura. Em que confias, para te revoltares contra mim?
21. Já sei: pões tua confiança no Egito, esse caniço rachado que fere e traspassa a mão de quem nele se apóia; assim é o faraó, rei do Egito, para todos os que nele confiam.
22. Dir-me-eis, sem dúvida, que vossa confiança está no Senhor, vosso Deus. Mas não é ele mesmo aquele deus, cujos altares e lugares altos Ezequias destruiu, dizendo aos homens de Judá e de Jerusalém: Só diante deste altar em Jerusalém vos prostrareis?
23. Faze, pois, um tratado com o meu soberano, o rei da Assíria, e eu te darei dois mil cavalos, se tiveres cavaleiros para os montar.
24. Como poderás resistir diante de um só dos menores oficiais do meu soberano? Esperas que o Egito te forneça carros e cavaleiros?
25. E mesmo porque foi porventura sem o consentimento do Senhor que eu ataquei esta cidade para destruí-la? Foi o Senhor quem me disse: Ataca e destrói esta terra.
26. Eliacim, filho de Helcias, o escriba Sobna e Jael disseram ao copeiro-mor: Fala aos teus servos em aramaico, dialeto que compreendemos; não nos fales em hebraico, pois nos pode ouvir a multidão que está sobre a muralha.
27. Mas o copeiro-mor replicou-lhe: Foi por acaso (unicamente) ao teu soberano e a ti que meu soberano me mandou dizer estas coisas? Não foi antes a toda essa multidão que está sobre os muros e está reduzida, como vós, a comer seus escrementos e a beber sua urina?
28. Então o copeiro-mor avançou e pôs-se a gritar em hebraico: Ouvi o que diz o grande rei, o rei da Assíria!
29. Isto diz o rei: Não vos deixeis seduzir por Ezequias; ele não vos poderá livrar de minhas mãos.
30. Não vos leve Ezequias a confiar no Senhor, dizendo que o Senhor vos livrará e que esta cidade não cairá nas mãos do rei da Assíria!
31. Não deis ouvidos ao rei Ezequias! Eis o que vos diz o rei da Assíria: Fazei a paz comigo. Rendei-vos, e cada um de vós poderá comer os frutos de sua vinha e de sua figueira, e beber a água do seu poço,
32. até que eu venha e vos leve para uma terra semelhante à vossa, terra fértil em trigo e em vinho, terra de pão e de vinhas, terra de olivais, de óleo e de mel. Assim salvareis a vossa vida, sem temor de morrer. Não deis ouvidos a Ezequias, pois ele vos engana quando vos diz que o Senhor vos livrará!
33. Puderam porventura os deuses das outras nações livrá-las das mãos do rei da Assíria?
34. Onde estão os deuses de Emat e de Arfad? Onde estão os deuses de Sefarvaim, de Ana e de Ava? Livraram eles Samaria de minhas mãos?
35. Quais são, entre todos os deuses dessas terras, os que salvaram o seu próprio país de minhas mãos, para que o Senhor possa salvar Jerusalém?
36. O povo ouviu em silêncio; não lhe respondeu uma só palavra, porque o rei ordenara que não respondessem.
37. Eliacim, filho de Helcias, prefeito do palácio, o escriba Sobna e o cronista Joaé, filho de Asaf, voltaram a Ezequias com as vestes rasgadas e referiram-lhe as palavras do copeiro-mor.
2 Reis 19
1. Ouvindo isso, o rei Ezequias rasgou as vestes, cobriu-se de um saco e foi ao templo do Senhor.
2. Mandou o prefeito do palácio, Eliacim, o escriba Sobna e os deães dos sacerdotes, revestidos de sacos, ao profeta Isaías, filho de Amós,
3. para dizer-lhe: Eis o que diz Ezequias: Hoje é um dia de angústia, de castigo e de opróbrio. Os filhos estão a ponto de nascer, e não há força para dá-los à luz.
4. O Senhor, teu Deus, talvez tenha ouvido as palavras do copeiro-mor, enviado pelo rei da Assíria, seu soberano, para insultar o Deus vivo, e talvez o vá punir pelas palavras que ele ouviu. Roga, pois, por esse resto que ainda subsiste!
5. Os servos do rei Ezequias foram ter com Isaías, e este lhes respondeu: Eis o que diz o Senhor:
6. Não te assustes com as palavras que ouviste e com os ultrajes que proferiram contra mim os servos do rei da Assíria.
7. Vou enviar-lhe um espírito que, ao receber uma certa notícia, o fará voltar à sua terra, onde o farei perecer pela espada.
8. O copeiro-mor, sabendo que o rei da Assíria tinha deixado Laquis, voltou para junto do seu soberano, e o encontrou sitiando Lobna.
9. O rei ouviu dizer de Taraca, rei da Etiópia: Ele acaba de sair para combater contra ti. Senaquerib mandou novamente mensageiros a Ezequias para dizer-lhe:
10. Isto direis a Ezequias, rei de Judá: Não te deixes enganar pelo Deus no qual puseste a tua confiança, pensando que Jerusalém não será entregue nas mãos do rei da Assíria.
11. Ouviste contar como os reis da Assíria trataram todos os países, e como os devastaram: só tu, pois, haverias de escapar?
12. As nações que meus antepassados aniquilaram, Gosã, Harã, Esef, e os filhos de Eden, que estavam em Telasar, foram porventura libertados pelos seus deuses?
13. Onde estão o rei de Emat, o rei de Arfad, os reis de Sefarvaim, de Ana e de Ava?
14. Ezequias tomou a carta das mãos dos mensageiros e leu-a; subiu depois ao templo e abriu-a diante do Senhor,
15. rogando-lhe: Senhor, Deus de Israel, que estais sentado sobre querubins, só vós sois o Deus de todos os reinos da terra. Vós fizestes os céus e a terra.
16. Inclinai, Senhor, os vossos ouvidos e ouvi! Abri, Senhor, os vossos olhos e vede! Ouvi a mensagem de Senaquerib, que mandou blasfemar o Deus vivo!
17. É verdade, Senhor, que os reis da Assíria destruíram as nações e devastaram os seus territórios,
18. atirando ao fogo os seus deuses, mas isso porque não eram deuses, e sim objetos feitos pelas mãos do homem, objetos de madeira e de pedra: por isso foram destruídos.
19. Mas vós, Senhor, nosso Deus, salvai-nos agora das mãos de Senaquerib, a fim de que todos os povos da terra saibam que vós, o Senhor, sois o único Deus.
20. Isaías, filho de Amós, mandou dizer a Ezequias: Eis o que diz o Senhor, Deus de Israel: Ouvi a oração que me fizeste a respeito de Senaquerib, rei da Assíria.
21. Eis o oráculo do Senhor contra ele: A virgem, filha de Sião, despreza-te e zomba de ti. A filha de Jerusalém meneia a cabeça por trás de ti.
22. A quem insultaste e ultrajaste? Contra quem elevaste a voz e olhaste por cima dos ombros? Contra o Santo de Israel!
23. Por meio de teus mensageiros insultaste o Senhor e disseste: Com a multidão dos meus carros subirei ao cimo dos montes, aos cumes longínquos do Líbano. Abaterei os seus cedros mais altos, seus ciprestes mais belos. Penetrarei até os últimos limites do seu bosque mais espesso.
24. Cavarei e beberei água estrangeira. Com a planta de meus pés ressecarei todos os canais do Egito.
25. Ignoras que desde o princípio preparei o que acontecerá? Desde remotos tempos decidi o que agora realizarei: Reduzirei a ruínas e escombros cidades fortificadas.
26. Seus habitantes ficarão sem forças; serão tomados de pavor e confusão, ficarão semelhantes à erva das pastagens, ao capim dos telhados, aos frutos atingidos pela longa estiagem.
27. Eu sei quando te sentas, quando sais e quando entras, e conheço teus furores contra mim.
28. Porque ficaste furioso contra mim. E subiram aos meus ouvidos as tuas insolências, porei argola em teu nariz e freio em tua boca, e te forçarei a voltar pelo caminho por onde vieste.
29. E eis o que te servirá de sinal: Este ano se come restolhos; no ano que vem, aquilo que nascer sozinho; no terceiro ano, porém, semeareis e colhereis, plantareis vinhas e comereis os seus frutos.
30. O resto, que subsistir da casa de Judá, lançará novas raízes no solo e produzirá frutos no alto.
31. Pois de Jerusalém surgirá um resto e do monte Sião sobreviventes. Eis o que fará o zelo do Senhor dos exércitos.
32. Por isso, eis o oráculo do Senhor ao rei da Assíria: Não entrará nesta cidade nem atirará flechas contra ela, não lhe oporá escudo nem a cercará de trincheiras.
33. Mas voltará pelo caminho por onde veio, sem entrar na cidade - oráculo do Senhor.
34. Protegerei esta cidade para salvá-la, por minha causa e de Davi, meu servo.
35. Ora, nessa mesma noite o anjo do Senhor apareceu no campo dos assírios e feriu cento e oitenta e cinco mil homens. No dia seguinte pela manhã só havia cadáveres.
36. Senaquerib, rei da Assíria, retirou-se, tomou o caminho de sua terra e deteve-se em Nínive.
37. Certo dia, estando ele prostrado no templo de Nesroc, seu deus, seus filhos Adramelec e Sarasar assassinaram-no a golpes de espada e fugiram para a terra de Ararat. Seu filho Assaradon sucedeu-lhe no trono.
2 Reis 20
1. Naquele tempo, Ezequias foi atingido por uma enfermidade mortal. Veio o profeta Isaías, filho de Amós, ter com ele e disse-lhe: Eis o que diz o Senhor: Põe em ordem a tua casa, porque vais morrer; não sararás.
2. Então Ezequias voltou-se para o lado da parede e orou ao Senhor, dizendo:
3. Senhor, lembrai-vos de que andei fielmente diante de vós, e de que com lealdade de coração fiz o que é bom aos vossos olhos. E, dizendo isso, derramava abundantes lágrimas.
4. Isaías não tinha ainda deixado o átrio interior, quando a palavra do Senhor lhe foi dirigida nestes termos:
5. Volta e dize a Ezequias, chefe de meu povo: Eis o que diz o Senhor, Deus de Davi, teu pai: Ouvi a tua oração, e vi as tuas lágrimas. Por isso vou curar-te. Dentro de três dias subirás ao templo do Senhor.
6. Vou acrescentar quinze anos aos dias de tua vida; além disso, salvar-te-ei, a ti e a esta cidade, das mãos do rei da Assíria, e protegerei esta cidade por amor de mim mesmo e de Davi, meu servo.
7. Então disse Isaías: Trazei-me massa de figos. Trouxeram-na. Aplicou-a sobre a úlcera, e o rei ficou são.
8. Ezequias disse a Isaías: Qual o sinal de que o Senhor me curou e de que poderei subir ao templo dentro de três dias?
9. Isaías respondeu-lhe: Eis o sinal que te dará o Senhor para que saibas que se há de cumprir a sua promessa. Queres que a sombra se adiante dez graus ou recue dez graus?
10. É fácil, replicou Ezequias, que a sombra se adiante dez graus. Não! Quero que ela recue dez graus.
11. Orou o profeta Isaías, e o Senhor fez com que a sombra recuasse dez graus no relógio solar de Acaz.
12. Naquele tempo, ouvindo o rei de Babilônia, Merodac-Baladã, que Ezequias se achava enfermo, mandou-lhe uma carta com presentes.
13. Ezequias, contentíssimo com a vinda desses mensageiros, mostrou-lhes o palácio onde se encontravam os seus tesouros, a prata, o ouro, os aromas, o óleo precioso, o seu arsenal e tudo o que se encontrava em suas reservas. Nada houve em seu palácio e em suas propriedades que Ezequias não lhes mostrasse.
14. O profeta Isaías foi ter com o rei e perguntou-lhe: Que te disse aquela gente? De onde vieram esses homens para te visitar? Vieram de uma terra longínqua, de Babilônia, respondeu Ezequias.
15. Isaías continuou: Que viram eles em teu palácio? Viram tudo o que há em meu palácio, respondeu Ezequias; nada há em meu palácio que eu não lhes tenha mostrado.
16. Então Isaías disse ao rei: Ouve a palavra do Senhor:
17. Virão dias em que tudo o que se encontra em teu palácio, tudo o que ajuntaram os teus pais até o dia de hoje será levado para Babilônia. Nada ficará, diz o Senhor.
18. Tomar-se-ão mesmo os teus filhos que saírem de ti, que tiveres gerado, para se tornarem eunucos no palácio do rei de Babilônia.
19. Ezequias respondeu a Isaías: O Senhor tem razão; é justo tudo o que me acabas de anunciar. E dizia consigo: Ao menos enquanto eu viver, haverá paz e segurança.
20. O resto da história de Ezequias, seus atos e grandes feitos, a construção do reservatório e do aqueduto pelo qual proveu de água a cidade, tudo isso se acha consignado no livro das Crônicas dos reis de Judá.
21. Ezequias adormeceu com seus pais, e seu filho Manassés sucedeu-lhe no trono.